Preconceito Linguístico
Enviada em 19/10/2020
O modernismo brasileiro se iniciou em 1922, e uma de suas principais críticas era sobre a formalidade exacerbada que foi utilizada em movimentos anteriores como o Parnasianismo e o Simbolismo que valorizavam a cultura europeia, e em contrapartida os modernistas prestigiavam a língua nativa e a cultura nacional. Apesar de ter sido reconhecida e debatida nesse momento modernista a língua e suas variantes são motivos de preconceito na sociedade brasileira, pois ele se fundamenta no ato de julgar as pessoas pelo modo de falar, baseando-se na gramática normativa. Portanto, há fatores que influenciam na continuidade desse problema como a desigualdade social e os estereótipos geográficos.
Primeiramente é notório que a desigualdade social é um processo existente dentro das relações da sociedade, presente em todos os países do mundo. Logo, é visível que no Brasil as classes mais baixas acabam não tendo acesso ao ensino de qualidade nas escolas que não dão ênfase nas variedades linguísticas, o que influência no modo de falar e de agir das pessoas mais simples que usam uma linguagem menos formal de acordo com os seus costumes. Tal fato é vivenciado na obra Urupês de Monteiro Lobato, com personagem Jeca Tatu que é um homem sem nenhuma educação e cultura e alheio ao que acontece pelo mundo, e exemplifica o preconceito vivido pelo mesmo, que é visto como inferior pelas demais pessoas devido o seu modo de se expressar.
Além disso, a ideia de superioridade de uma região sobre outra desvaloriza a riqueza dos regionalismos. Logo, algumas regiões do Brasil, como o nordeste sofre com o preconceito linguístico, o que pode ser presenciado nas mídias quando o nordestino é colocado como inculto, e é motivo de graça devido seus sotaques e gírias. Similarmente, este preconceito é aparente na novela Êta mundo bom, exibida pela rede Globo, onde o personagem Candinho é alvo de apelidos pejorativos por causa do seu modo de falar. Ademais é comum indivíduos que ocupam as regiões mais ricas do país manifestarem algum tipo de aversão ao modo de falar das pessoas de classes menos favorecidas.
Fica claro, portanto, que a língua é um fator decisivo na exclusão social. De acordo com Immanuel Kant: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”, portanto o governo federal em parceria com o Ministério da Educação (MEC) deve investir nas escolas e implementar uma disciplina sobre as variedades linguísticas existentes no país, e realizar palestras com os estudantes e a comunidade demonstrando as consequências do preconceito e apresentando os diversos costumes de cada região. Ademais o governo federal deve criar um programa de ajuda financeira para as famílias de baixa renda, para que os estudantes não deixem as escolas e precisa fiscalizar os conteúdos que são transmitidos nas mídias, impedindo qualquer atitude preconceituosa, para não inferiorizar nenhuma região.