Preconceito Linguístico

Enviada em 17/10/2020

Desde o surgimento da primeira espécie observamos, ao longo do tempo, mudanças e adaptações que, biologicamente, são vistas como algo a acrescentar na nossa diversidade, essas transformações são a base para o surgimento de uma maior variabilidade. Nesse contexto, a língua portuguesa também passou por diversas mutações, mas que na espécie humana, ao contrário das outras espécies, são vistas como erradas e como algo a ser erradicado, alimentando assim o preconceito linguístico. Dessa forma, observa-se que a liberdade linguística reflete um cenário desafiador seja pelo contexto histórico, seja pela dificuldade de aceitação. Primeiramente, é valido citar que a colonização brasileira tem seus traços marcados pela retirada da língua primitiva e implementação de uma linguagem estrangeira. Diante desse fato, os portugueses julgavam ser correto tratar a língua tupi como indiferente e errada, implementando a norma portuguesa como oficial. Paralelo a isso, mas ainda ligadas entre si, a igreja católica ensinava como falar a língua imposta, tirando toda a cultura do povo primitivo apenas por não aceitar as diferenças. Nossa variedade linguística conta com mais de sete mil línguas diferentes, é preciso abordar nossa diversidade para que seja compreendida como plural e não como estrangeira. Sendo assim, é notório que o preconceito linguístico data de gerações passadas, paradoxalmente ao longo dos séculos, a fala passou por mudanças mas nunca por total aceitação. Deve-se abordar, ainda, sobre a importância da diversidade linguística e a empatia, uma vez que, quando excluídos do lugar de fala, surgem consequências aos indivíduos. Conquanto, na química há um conceito de supersaturação, onda a solução é instável e uma mínima perturbação faz o soluto precipitar surgindo a presença do corpo de fundo, logo, é possível aplicar tal conceito na sociedade, um indivíduo que sofre discriminação tende a desenvolver medo de comunicação, sociabilidade e ainda, psicológicos, ou seja, optam pelo afastamento, justamente por não se sentirem aceitos diante o mundo padronizado. Desse modo, é necessário irmos de encontro ao pensamento do escritor Oswald de Andrade, em seu poema pronominais, o qual faz referência a existência de diversas maneiras de expressar uma mesma ideia sem classifica-las como certa ou erradas. É evidente, portanto, que ainda há rejeição e entraves para garantir o espaço e aceitação daqueles que são vítimas do preconceito linguístico. Nessa lógica, é imperativo que as escolas promovam, além das aulas da grade curricular de português, debates acerca de todas as variantes existentes na língua por meio de oficinas e workshops dentro do âmbito escolar, a fim de mostrar que, dentro do extenso território brasileiro, variedades existem e que é necessário uma maior compreensão do passado para haver aceitação dos diversos usos no presente. Só assim garantimos o direito de liberdade linguística e damos um passo à frente para igualdade.