Preconceito Linguístico

Enviada em 18/10/2020

Em 2016, repercutiu na internet o caso do médico brasileiro que foi amplamente repreendido pelas pessoas ao debochar, em suas redes sociais, da forma errada como um de seus pacientes havia escrito os termos médicos pneumonia e raio X. Tal acontecimento mostra como o preconceito linguístico é presente na sociedade brasileira, em especial entre pessoas de escolaridades tão díspares, pessoas as quais usam a língua como instrumento segregacionista, esquecendo-se, assim, o real motivo pelo qual a língua foi criada, a união. Por isso, é necessário o debate para que o respeito seja estabelecido e as bases históricas da criação da língua voltem à tona.

Em primeiro lugar, cabe destacar como a disparidade econômica é um grande propulsor dos preconceitos linguísticos. A imposição forçada do português pelos padres jesuítas aos índios residentes do Brasil, no século XVI, fez com que os modos de expressão dos povos indígenas fossem totalmente reprimidos, refutados e consequentemente perdidos, para sempre. Dessa forma, é claro como as pessoas que têm mais oportunidades de estudos se veem no direito de reprimir quem fala diferente e ambicionam impor o seu modo de falar, por mais que esse ato esteja destruindo milhares de outros dialetos e formas de se expressar.

Em segundo lugar, há de se destacar que as formas variadas de uso da língua portuguesa interpessoalmente, fora da norma culta, se tornou critério para segregar a sociedade. Apesar do fato da língua ter sido criada como instrumento de identificação do povo quanto nação, mecanismo usado pelo imperador de Roma, Augusto, ao declarar o latim como língua oficial, ainda antes de Cristo. Portanto, é necessário que a língua volte a ser vista como um bem comum e tradicional, dominada por todos os nativos ainda que em suas mais diversas discrepâncias gramaticais.

Conclui-se, então, uma urgente necessidade de mudança, quanto ao jeito de agir e pensar dos brasileiros. Visando a concretização de tal perspectiva, cabe ao Governo criar campanhas, nas redes sociais, passando a mensagem de aceitação da diversidade linguística presente em todo amplo território nacional, com a participação de youtubers de todas as regiões do Brasil, atingindo, dessa forma, públicos das mais diversas faixas etárias. Ainda nas campanhas, é relevante sempre destacar o vigor criminal de atos, tais como de preconceito linguístico. Com essa ação, espera-se, pois, que episódios como o do médico preconceituoso não se repitam na sociedade brasileira.