Preconceito Linguístico

Enviada em 19/10/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao preconceito linguístico, visto que, rótulos como o de “nordestino analfabeto” ou de “goiano caipira”, infelizmente, ainda estão presentes no pensamento e no discurso de muitos brasileiros. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a lenta mudança na mentalidade social e a falta de conhecimento.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do preconceito linguístico é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que muitos brasileiros impõe um único ideal linguístico em detrimento dos demais. Dessa maneira, nota-se que as pessoas pertencentes a elite econômica desprezam e marginalizam o comportamento linguístico daqueles de baixa renda. Portanto, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante e injusto, a tendência é adotas esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Primeiramente, é preciso salientar que a falta de conhecimento é uma causa latente do problema. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas desconhecem as diversas variantes da língua portuguesa, a tendência é adotar composturas discriminatórias com outras pessoas que utilizam modos linguísticos diferentes. Desse modo, para que o preconceito linguístico seja combatido, é necessário que as escolas disseminem saberes históricos, culturais e sociais para explicarem as variedades linguísticas do Brasil. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria as chances de desconstruir esse preconceito.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre o preconceito linguístico e a variedade da língua, bem como incentivar a empatia e o altruísmo no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença de profissionais de letras e linguística. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama desafiador e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.