Preconceito Linguístico
Enviada em 18/10/2020
A cada dia um novo jeito de se comunicar é criado, com novas gírias, expressões, palavras e gestos. Todavia, socialmente, há um desgosto em relação a algumas adaptações populares e esse tipo de preconceito pode ocasionar alguns problemas. Nesse sentido, cabe debater acerca dos tipos de preconceitos linguísticos e os motivos pelos quais devemos apreciar a língua e não reprimi-la.
Em primeira instância, cabe falar sobreo preconceito linguístico inter-regional, constantemente é falado sobre gírias, expressões e sotaques de regiões do Brasil que para pessoas de fora do local não fazem sentido, como por exemplo “pocar” no Espírito Santo ou “cabra macho” no nordeste, quando é na verdade justamente isso que traz tanta beleza ao Brasil. Visto que não é difícil encontrar em programas de televisão personagens nordestinos, ou até mesmo do interior, sempre com um ar cômico, é compreensível que hoje existem tantas pessoas que ainda ridicularizam a forma de falar de outras, um grande exemplo dessa realidade é a novela Êta Mundo Bom, da Globo, onde o personagem Candinho tinha como característica cômica seu sotaque interiorano. Entretanto, é fundamental ter em mente que linguagem é cultura e a cultura não deve ser reprimida, mas sim conhecida e tida como um bem nacional, não existe falar correto, apenas existem vários maravilhosos jeitos de falar.
Também devemos lembrar que, socialmente, o uso correto da linguagem é instantaneamente ligado à superioridade, pessoas que possuem o mau hábito de corrigir a fala de outras normalmente fazem isso com um tom de deboche, ao constranger uma pessoa em público pode-se causar retração social e o alvo pode ficar introvertido. Percebe-se assim que algumas pessoas creem que existe um jeito certo de falar, mas, se fosse assim, nossa língua não seria o que é hoje, ainda existiriam palavras como vosmecê, na verdade como vossa mercê, ou até mesmo usaríamos o latim ou pintaríamos em cavernas. Deve-se lembrar que a língua é viva e deve ser respeitada e apreciada em suas mudanças, mudar é evoluir.
Visto que é necessário aprender a apreciar as variações linguísticas, medidas devem ser tomadas para facilitar esse processo. Dessa forma, as escolas, por meio de atividades e vídeos sobre a pluralidade da fala, devem ensinar as crianças e adolescentes sobre os diversos jeitos de de se comunicar, assim ajudando os jovens a entender que falar diferente não necessariamente é falar errado e por meio disso criaremos uma sociedade mais tolerante no futuro. Pois como foi dito por Ricardo Lima, do Departamento de Estudos da Linguagem da Uerj, “A língua é viva porque está sendo usada sempre, em vários contextos e situações, o que faz com que ela tenha novos usos e novas possibilidades”.