Preconceito Linguístico

Enviada em 19/10/2020

Em ‘‘O Auto da Barca do Inferno’’, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficcão, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao cenário do preconceito linguístico. Nesse contexto, são necessárias estratégias para alterar essa situação problemática, causada por uma lacuna educacional, bem como pela sensação de superioridade.

A princípio, é importante atentar para a supressão da esfera escolar presente no problema. Sob esse viés, para o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Nessa perspectiva, se há uma um impasse social, há uma carência na base de formação do indivíduo. Nesse sentido, no que tange à discriminação das variantes linguística na sociedade, percebe-se a forte influência da instituição pedagógica, uma vez que ordinariamente, as escolas não têm cumprido o seu papel no sentido de proporcionar maiores conhecimentos acerca da diversidade de dialetos. Desse modo, o ambiente escolar, não trazendo às salas de aulas conteúdos educativos e palestras da temática, atua como um forte empecilho na resolução da adversidade latente.

Além disso, outra adversidade enfrentada é o predomínio do egocentrismo. Nesse ínterim, a Teoria da Eugenia, cunhada no século XX, defende que o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. Acerca disso, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. No panorama atual brasileiro, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida por meio da intolerância das variações de fala por parte de muitos indivíduos que julgam a língua norma-padrão como a única a ser respeitada e seguida. Por consequinte, a mentalidade eugênica influencia a consolidação do percalço social persistente.

Portanto, medidas cabíveis são indispensáveis para uma amenização ou possível superação do impasse. Desarte, o Ministério da Educação e as escolas de ensino fundamental e médio devem promover palestras, por meio de entrevistas com vítimas de discriminação devido ao seu dialeto e de profissionais da área de ciências humanas - sociólogos e antropólogos-. Tal ação tem por finalidade discutir a necessidade de compreensão e de aceitação das variedades linguísticas presentes na sociedade brasileira. Além disso, a atividade poderia ter uma dinâmica entre os alunos, como por exemplo, a dramatização de peças teatrais utilizando a diversidade de linguagem no território brasileiro para um haver um maior entendimento e respeito das variantes linguísticas.