Preconceito Linguístico
Enviada em 21/10/2020
O livro “Utopia” de Thomas More retrata uma república imaginária sem conflitos ou problemas de qualquer cunho. Contudo, o Brasil está distante de alcançar essa sociedade já que apresenta diversas adversidades, dentre elas o preconceito linguístico. Esse, por sua vez, resulta da comparação indevida entre o modelo idealizado de língua que se apresenta nas gramáticas normativas e nos dicionários e os modos de falar reais das pessoas que vivem na sociedade, os quais são muitos e bem diferentes entre si.
A priori, é fundamental salientar que vive-se em um país de grande extensão territorial o qual recebeu diversas influências durante sua história. Desde a chegada dos portugueses, muitas foram as mudanças no Brasil, que teve sua própria cultura interferida pelos próprios colonizadores, africanos, italianos, franceses, dentre diversos imigrantes de outras nacionalidades. Em decorrência disso, algumas regiões foram mais influenciadas por certa nacionalidade do que outras, logo, há variedade linguística dentro do português falado no país que, apesar de não ser uma língua única, sofre com a imposição de um único ideal linguístico resultando no preconceito.
Outrossim, o sistema de educação brasileiro é falho quando se trata dessa temática. Dessarte, as escolas ensinam a gramática tradicionalista e erudita e “anulam” a questão da variedade linguística no país. Desse modo, as principais vítimas do preconceito linguístico são nordestinos, negros e indivíduos de camadas sociais inferiores. Analogamente, segundo o linguista e escritor brasileiro Marcos Bagno “o preconceito linguístico deriva da construção de um padrão imposto por uma elite econômica e intelectual que considera como “erro” e reprovável tudo que se diferencie desse modelo. Está ainda intimamente ligado a outros preconceitos também muito presentes na sociedade, como preconceito socioeconômico, preconceito regional, preconceito cultural, preconceito racial e a homofobia”.
Portanto, diante dos fatos supracitados, é imprescindível que o Ministério da Educação - órgão responsável pelo ensino - acrescente no currículo estudantil o estudo das variações linguísticas, por meio da reformulação do sistema educacional das escolas, a fim de eliminar o preconceito linguístico. Ademais, é essencial que as mídias e TV realizem campanhas que promovam a inclusão das variantes do português não padrão com a finalidade, também, de combater o preconceito em questão.