Preconceito Linguístico
Enviada em 31/10/2020
Relativo ao preconceito linguístico, é possível afirmar que esse tipo de discriminação social, que consiste no julgar de um indivíduo pela maneira como ele se comunica, está cada vez mais presente na sociedade hodierna, visto que a valorização da norma culta em consonância com a desigualdade educacional do país, colaboram para a exclusão social de alguns grupos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Memorial de Maria Moura (1992), romance regional de Raquel de Queiroz, conta a história de Maria Moura, uma jovem órfã que inicia uma guerra com seus primos, por questões de herança familiar e terras. Nesse obra, é colocado em questão o linguajar regional popular, por tratar-se de pessoas que moram no interior do nordeste, e o livro tem como finalidade, mostrar a riqueza cultural e as variações linguísticas presentes nessa região. Todavia, os meios de comunicação propagam uma ideia divergente, uma vez que são responsáveis pela disseminação do preconceito linguístico, pois valorizam a gramática normativa, e repudiam a língua falada pela população, causando assim, a exclusão social dessas pessoas. Além disso, outra forma de preconceito linguístico é disseminado através dos livros didáticos e pelo próprio ensino da escolas que enaltecem o uso da gramática tradicional como a única forma de comunicação correta.
Somando-se a isso, é possível afirmar que o preconceito linguístico também está associado a desigualdade educacional, uma vez que que a educação e a renda estão interligados. Dessa forma, a população mais carente, na maioria da vezes, não têm acesso à educação de qualidade, e por essa razão são discriminadas por não falar a variante padrão da língua.
Destarte, fica evidente em cessar a problemática em questão. Portanto, é imperioso o empenho do Ministério da Educação (MEC) em consonância com a escolas, elaborar palestras aberta ao público, ministradas por professores que abordem sobre o tema de maneira mais aprofundada, com o intuito de enfatizar a importância em respeitar e valorizar a língua falada em cada região do país, e combater o preconceito linguístico. Ademais, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital que por intermédio das escolas e comunidades, será revertido em distribuição de livros didáticos e apostilas para a população, contento todas as informações fundamentais das variantes linguísticas de cada região, com o objetivo de mostrar que, independente da situação socioeconômica, todos são iguais perante a lei e merecem ser inseridos na sociedade de forma igualitária. Desse modo, quem sabe, assim, o fim do preconceito linguístico deixe de ser uma utopia no Brasil.