Preconceito Linguístico
Enviada em 28/10/2020
Durante o período colonial brasileiro houve a convivência de diferentes etnias e esse fator contribuiu para as, diversas, variações linguísticas do português brasileiro. Nesse contexto, criou-se a norma padrão com o objetivo de ser utilizada como a correta, excluindo as demais variantes linguísticas de maneira preconceituosa. Portanto, é necessário estender as diferentes variações comunicativas e estabelecer medidas para que o preconceito linguístico seja extinto da sociedade brasileira.
Em primeira análise, é importante salientar as razões que desencadeiam esse tipo de preconceito. Percebe-se que a valorização da norma culta, utilizada como forma de eleger a superioridade do enunciador, apresenta uma rígida categorização que desprivilegia àqueles que desconhecem seu uso adequado, sendo expostos à margem da sociedade e menosprezados por conta dessa vertente. Assim, como dizia Jurgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, “ a sociedade é dependente da críticas às suas próprias tradições, isto é, a influência da construção da fala, julgada devido a suas variações regionais, deve sustentar e admitir todas as alternativas inerentes à língua portuguesa, inibindo o preconceito importo às particularidades ligadas à escolaridade e classe social.
Em segundo plano, é imprescindível acrescentar, portanto, os fatores que consolidam o problema no país. Constata-se, nesse sentido, que a intolerância lingüística se baseia em um modelo de hegemonia social, haja vista o uso e diferentes variantes em determinadas regiões do país, que provocam um choque cultural entre a tipologia adotada e ao falante, e , consequentemente, a norma padrão da língua portuguesa. Dessa forma, atos de zombaria contra a transmissão de novos conhecimentos lingüísticos desprivilegiam inúmeros grupos sociais, e, consolidam a prática do “bullying” que, a longo prazo, evidencia a exclusão do indivíduo do meio social.
Portanto, é de suma importância reformas no sistema educacional, mediadas pelo Ministério da Educação, com intuito de uma abordagem mais aprofundada sobre o tema variedades linguísticas. Além de investir em projetos escolares que visão a integração com a comunidade, ainda, o Ministério da Cultura e mídia combater a estereotipação dos personagens com base na maneira de falar e investir em campanhas que ajudem a desconstruir o preconceito linguístico e inclua a aprendizagem. Afinal, não se trata de ensinar a falar ou a fala “correta”, mas sim as falas adequadas ao contexto de uso.