Preconceito Linguístico

Enviada em 30/10/2020

Preconceito linguístico: também uma força de intolerância

O processo de evolução das espécies, descrito por Charles Darwin, explica a transformação dos seres vivos com o passar do tempo. Inclusive, permite entender as diferenças entre espécies muito próximas. A língua, apesar de ser regida pela gramática normativa, está sujeita a transformações, mudanças e variações. A maneira como um grupo usa a linguagem para se comunicar não deve ser vista como menos digna de prestígio por outro grupo. Entender a linguagem e seu uso é um importante passo para eliminar o preconceito linguístico.

A produtora de vídeos Porta dos Fundos produziu um curta-metragem intitulado “Português Fluente”. Na cena, o funcionário recém-contratado tem dificuldade de se dirigir ao seu superior, que exige o tratamento formal de acordo com a norma culta – pouco utilizada no cotidiano. Ao final do vídeo, é evidente que, apesar de o personagem ser um falante nativo daquela língua, ele não domina todos os pormenores de sua gramática.

A segregação de grupos ou etnias, como, por exemplo o Apartheid ou a expulsão dos Rohingya de Bangladesh, pode gerar sérios problemas sociais.

Face ao exposto, qualquer tipo de conduta preconceituosa e discriminatória deve ser combatida. O preconceito linguístico precisa ser considerado tão grave quanto o preconceito de gênero ou o racial.

Dessa forma, é preciso tipificar a discriminação linguística como crime, para que seus agentes sejam punidos ao rigor da lei. Ademais, é pertinente que a população geral entenda que não existe forma errada  de se comunicar. Para isso, a Academia Brasileira de Letras pode liderar campanhas publicitárias para que todos as formas do falar sejam aceitas e que não reste espaço para o preconceito no circuito da comunicação.