Preconceito Linguístico

Enviada em 07/01/2021

O processo de civilização do Brasil, iniciado em 1500 com a chegada dos portugueses, trouxe consigo diversas formas de dominação sobre o povo nativo. Uma dessas dominações constituiu-se por meio de imposição da língua portuguesa, que foi propagada como idioma oficial. Nesse aspecto, tal fato contribuiu para o surgimento de um fenômeno denominado preconceito linguístico. Esse fato perpetua até hoje pela conservação do legado histórico através da elite brasileira.

Em primeiro plano, destaca-se que o prejulgamento cria margens na sociedade. O filósofo Foucault dissertou que “normal” é tudo aquilo que está dentro das normas sociais, já “anormal”, aquilo que é marginalizado. Sob esse prisma, traçar como errado uma linguagem falada fora da atual norma-padrão é marginalizar o emissor, o que contribui diretamente para o preconceito linguístico e a conservação da negativa herança histórica. Dessa forma, é urgente a necessidade de alteração nesse cenário.

Ademais, outro ponto relevante é a contribuição da elite. O sociólogo Pierre Bourdieu analisou que a violência contra um grupo não consiste, somente, no embate físico, mas se estende à persistência de preconceitos. A esse respeito, tal repulsa está, também, diretamente relacionada ao elitismo e ao seu sentimento de superioridade, quando difunde a ideia de que erros gramaticais estão relacionados à falta de inteligência, o que se configura como violência em forma de preconceito. Assim, é inaceitável que esse problema persista, visto que constrange o indivíduo.

Fica claro, portanto, que algo deve ser feito para amenizar a questão. Nessa perpectiva, o educador Paulo Freire desenvolveu, em sua  obra “Pedagogia do Oprimido”, uma metodologia na qual defende que a realidade do aluno deve ser levada em consideração, não somente a visão elista de linguagem. Com isso, o Governo, por meio do MEC, o qual tem a função de organizar a educação, deve reformular a metodologia tendo como base a dinâmica de Paulo Freire. O intuito dessa ação é oferecer novas perpectivas ao aluno e, assim, apagar as marcas civilizatórias.