Preconceito Linguístico
Enviada em 03/11/2020
Durante o Império Romano, o latim falado pelos mais pobres era considerado feio e sem valor, enquanto o dos mais ricos era visto com um maior prestígio social e o apresentado como o “correto”. Hodiernamente, a problemática assimila-se ao período histórico citado, na qual a camada mais vulnerável vem a sofrer com o preconceito por não dominar a formalidade da língua, o que vem a provocar mazelas sociais e a afrontar a diversidade da fala.
É relevante salientar, a priori, a Constituição Federal Brasileira de 1988, que por sua vez assegura igualdade e respeito para todos os cidadãos. Contudo, verifica-se, na prática, o preconceito linguístico diante os indivíduos - sobretudo, em situação de vulnerabilidade social - que não falam e escrevem de acordo com norma padrão do português, geralmente, devido a um baixo nível de escolaridade. Nessa conjuntura, é perceptível a falta de empatia presente na problemática.
Convém ressaltar, ademais, o sociólogo francês Émile Durkheim, em que ressalva a escola e a educação como os principais meios de socializar-se para a vida adulta. Nesse aspecto, à medida que se tem conhecimento sobre as variações linguísticas, leva o indivíduo a aprender as diversas formas de se expressar e a importância em saber lidar com essas distinções. Com isso, trará efeitos benéficos para toda a sociedade em âmbito democrático.
Em síntese, analisa-se as óbices presentes na intolerância às variações da língua e na falta de empatia. Dessa forma, é de profunda necessidade que o Ministério da Educação - órgão responsável por ministrar as instituições de ensino -, atue em junção aos docentes da língua portuguesa promovendo atividades socioeducativas e palestras para os estudantes de nível básico sobre a importância de respeitar as várias maneiras de se expressar existentes no português, a fim de mitigar a problemática. Assim, haverá uma sociedade mais lúcida e perspicaz para fazer jus à Carta Magna.