Preconceito Linguístico
Enviada em 09/08/2021
No filme “Que horas ela volta”, a protagonista é uma empregada doméstica e sofre muito preconceito por sua forma simples de falar. Neste sentido, tal realidade se faz presente no contexto brasileiro vigente, uma vez que esse tipo de discriminação é uma questão recorrente. Logo, torna-se evidente que o conhecimento deficitário das variantes do vernáculo brasileiro junto à falsa sensação de superioridade linguística que possui mais acesso à educação contribui para um quadro cada vez mais alarmante de exclusão social.
Sob essa perspectiva, convém enfatizar que o acesso restrito à informação nas escolas favorece a ocorrência da intolerância linguística. Sobre isso, convém enfatizar que o sistema educacional brasileiro valoriza um padrão em detrimento da dinâmica da fala brasileira e das expressões populares. Neste sentido, o linguista Marcos Bagno no livro “Nada na língua é por acaso”, explica que essa falta de informação é propulsora da exclusão social no Brasil. Dessa forma, enquanto a escola não priorizar o ensino da dinâmica da fala, o problema permanecerá latente no país.
Além disso, a ideia de superioridade linguística contribui para agravar o impasse. Nesse sentido, cabe saliente que tal postura configura-se naquilo que o sociólogo Émile Durkheim denomina fato social, pois é uma maneira coletiva de agir, dotada de generalidade e coercitividade. Quanto a isso, sabe-se que essa postura depreciativa contra o modo como alguém fala, lastimavelmente, encontra-se como consequência principal de baixo poder aquisitivo e menor grau de instrução. Faz-se imprescindível, em vista disso, a dissolução dessa conjuntura.
É imperativo, portanto, a necessidade de mecanismos para minimizar a problemática. Para tanto, o MEC, por meio da alteração na Lei de Diretrizes e Bases, deve aplicar os conteúdos programáticos sobre a multiplicidade linguística, com o fito de atingir um público com potencial de mudança: crianças e adolescentes. Tal plano deve focar, principalmente, a abordagem as questões relacionadas às especificidades da língua falada. Ademais, o Governo Federal deve criar campanhas que sejam veiculadas às mídias, abordando o tema em questão. Feito isso, o Brasil não terá tantas pessoas sofrendo discriminação como um protagonista do longa “Que horas ela chega”.