Preconceito Linguístico

Enviada em 03/11/2020

O sociólogo Gilberto Freyre afirmou, em sua obra “Casa-Grande e Senzala”, que a pluralidade de dialetos existentes no Brasil constroi a identidade cultural do país. Destarte, todos devem ser respeitados, todavia, o preconceito linguístico é nocivamente comum na realidade brasileira. Sob essa ótica, é fundamental analisar como a escola e a mídia causam o problema e como combatê-lo.

Inicialmente, é inquestionável que a escola é o principal agente responsável pela problemática. Isso ocorre porque, desde os anos iniciais, as crianças são ensinadas que a norma culta é a forma mais “correta” da língua, enquanto que as outras expressões linguísticas são rotulados como “erradas”. Soma-se, ainda, o fato de que as variações linguísticas são constantemente ignoradas ao longo da vida letiva e são trabalhadas, somente, nos anos finais do ensino médio. Lamentavelmente, a escola rompe com sua premissa educadora, uma vez que origina indivíduos pouco interessados no que tange à compreensão dos inúmeros tipos de falas “tupiniquins” que propagam discriminação.

Ademais, é válido salientar que a mídia também é culpada pelo entrave em questão, dado que cria estereótipos associado às maneiras de comunicação. Prova disso é a personagem “Chico Bento”, que é a representação do mineiro ingênuo e caipira que puxa o “r”, que reside na zona rural e que se isola da cidade e da civilização. Por conseguinte, a caricaturização velada reforça e reafirma a intolerância, a qual é disseminada e consumida pela grande massa em forma de quadrinhos, novelas, filmes e propagandas.

Infere-se, portanto, a necessidade de liquidar o tóxico preconceito linguístico que persiste no âmbito nacional. Diante disso, com o fito de estimular a valorização da diversidade linguística e integrar seus falantes, cabe ao Ministério da Educação, aliado às escolas municipais, estaduais federais, militares e particulares, por meio de alterações na Base nacional Comum Curricular, trazer a variação linguística mais cedo para dentro da sala de aula, realizando debates, atividades extracurriculares e palestras . Só assim, tal estigma será suprimido e a tese de Freyre será, finalmente, atestada.