Preconceito Linguístico
Enviada em 04/11/2020
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os indivíduos o direito ao respeito da variação na língua portuguesa. Entretano, no Brasil, nota-se que o preconceito linguístico impossibilita que uma parcela da população usufrua desse direito na prática. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: a escola e o constrangimento.
Em primeiro lugar, é importante destacar a tentativa da escola em impor a norma padrão na língua portuguesa. Nesse viés, obeserva-se que atualmente maioria dos estudantes não reconhecem a verdadeira diversidade da língua brasileira, próprias de determinadas regiões ou grupos sociais. Nessa perspectiva, de acordo com o filósofo Pierre Bourdier, a língua é vista hodiernamente como “Capital Cultura,” no qual diferente falantes não tem sua cultura valorizada. Diante dos fatos, torna-se imprescindível ações governamentais para promover a educação sobre variação linguística no Brasil.
Consequentimente, o preconceito linguístico ocasiona um constrangimento para os falantes. Nessa lógica, o filósofo Michel Foucault atribuiu de “Microfísica do poder,” as diversas formas de opressão e humilhação com o modo de falar de diferentes indivíduos. Devido a isso, muitos cidadãos são excluídos socialmente e diversas línguas são vistas como inadequadas. Por conseguinte, a partir da repressão dessas pessoas muitas formas de falar podem desaparecer ocorrendo a perda da identidade cultural brasileira. Dessa forma, é substancial que órgãos públicos tomem providências para reverter tal panorama social.
Em síntese, a observação dos fatos presentes na sociedade reflete a urgência de viabilizar medidas para mitigar esse quadro caótico. Portanto, cabe ao Ministério de Educação e Cultura ( MEC), por intermédio de verbas governamentais, promover nas escolas o ensino de variação linguística com maior frequência, no qual os estudantes irão reconhecer as diferentes línguas faladas da sua região e do Brasil em geral, por meio de livros e visitando diversos grupos sociais, afim de amenizar o preconceito linguístico na sociedade. Enfim, a partir dessas ações será possível construir uma sociedade fiel aos ideais da Declaração dos Direitos Humanos.