Preconceito Linguístico

Enviada em 05/11/2020

A chegada dos Jesuítas no Brasil em 1549 resultou em vários problemas socioculturais. Entre eles o preconceito linguístico, em que a língua nativa era descaracterizada em prol de uma cultura “comum”. No cenário brasileiro atual a situação não é muito diferente, apesar do preconceito linguístico ter vindo da tentativa de uma hegemonia cultural, sua origem atual corresponde a desinformação por parte da população em distinguir e respeitar os diferentes modos de se utilizar a linguagem como forma de expressão. Isso resulta em uma população a qual 30% já foi vítima de preconceito linguístico de acordo com uma pesquisa realizada pela Datafolha.

Em primeiro plano, é importante destacar que a sociedade atual vive uma continuidade ideológica de padronização da língua, isso faz com que uma classe dominante e intelectual que considera como “erro”, culturas linguísticas diferentes e que, consequentemente, reprove tudo que se diferencia desse modelo, crie esteriotipos e preconceitos decorrentes referente ao modo linguístico que varia em vários aspectos. Assim como exprimiu o pensador e filósofo chinês Confúcio “Não corrigir erros do passado é o mesmo que cometer novos erros”, visto isso não podemos deixar que as diferenças culturais presentes no Brasil sejam descaracterizadas em uma sociedade miscigenada e propícia a se tonar cada vez mais compreensiva .

Outrossim, cabe enfatizar que o preconceito linguístico tem como consequência a exclusão de um grupo de pessoas pelo seu modo de falar, de se expressar, pelas gírias utilizadas, etc. Assim como é visto na “Turma da Mônica”, o personagem Chico Bento sofre preconceito linguístico de seus amigos em seu ambiente de convívio pelo seu do modo de falar caipira, visto que os outros personagens consideram “errado”. Isso mostra o quanto a sociedade tem que tomar atitudes plausíveis para que ocorram mudanças no processo de formação linguística da população, respeitando cada cultura.

Diante disso, são necessárias ações que revertam esse cenário. Logo, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino educacional do país, mudanças no ensino das escolas, acrescentando matérias que ensinem as crianças as diferentes culturas, para que dês de cedo elas saibam as diferenças linguísticas que existem. Cabe também aos canais televisivos, promoverem, em parceria com o governo, e por meio das mídias, campanhas e propagandas voltadas à população geral, com o objetivo de conscientizar as pessoas quanto às causas e impactos do preconceito linguístico. É apenas com conscientização, projetos e investimentos na área da educação que vamos conseguir resolver o problema do preconceito linguístico no Brasil.