Preconceito Linguístico
Enviada em 05/11/2020
Entre as questões a serem pensadas no Brasil a prevalência do preconceito linguístico é de relevância significativa. Nesse contexto, muitas são as causas e as consequências geradas por esse fator, dentre essas, destacam-se a padronização imposta pela gramática normativa e a discriminação social com os indivíduos que falam e/ou escrevem fora dessa norma. Com isso, é necessário investir em práticas educativas para amenizar tal impacto na sociedade.
Em princípio, a Gramática Normativa da Língua Portuguesa é caracterizada como um instrumento ditador, que molda o comportamento social. Desse modo, assim como foi abordado no programa midiático " Conexão Repórter" na série As raízes do preconceito, essa gramática dita o que é certo e o que é errado no uso da língua e no local de fala. Por esse motivo, que os cidadãos que falam ou escrevem, por exemplo, “trabisseiro” ou “poblema” são punidos ou “tachados” como inferiores em uma sociedade na qual a superioridade dos indivíduos é guiada pelo modo culto da sua fala. Nessa perspectiva, é possível afirmar que o preconceito linguístico existe no Brasil e gera exclusão.
Nesse sentindo, a intolerância às falas anormais é um fator perceptível na sociedade brasileira. Dessa forma, em um país miscigenado e heterogêneo como o Brasil, é pertinente observar a presença de diversos sotaques e gírias, dessa maneira, esperava-se um certo respeito com essa diversidade. No entanto, o que se observa é um preconceito linguístico, como exemplo, a notícia que foi divulgada pelo site da emissora Globo a qual relata sobre a postagem nas redes sociais do médico pernambucano ironizando a forma como seu paciente fala “peleumonia” e “raôxis”. Tais evidências comprovam a falta de empatia com o modo de dizer do outro.
Ratifica-se, portanto, que o preconceito linguístico é induzido pela imposição de uma norma gramatical pouco flexível e do desrespeito social. Por esse motivo, cabe ao Governo Federal investir, em parceria com o Ministério da Educação, em práticas educativas nas escolas públicas e privadas, por meio da criação de uma semana da linguagem que deve ser realizada uma vez por semestre, ministrada por pedagogos, através de palestras e aulas interativas. Tais ações terão o intuito de conscientizar a sociedade da importância do respeito ao modo de falar do próximo. Só assim, poder-se-ia amenizar os dramas acometidos pela intolerância linguística no país.