Preconceito Linguístico

Enviada em 12/11/2020

O preconceito linguístico é definido como todo juízo de valor negativo às variedades linguísticas de menor prestígio social. Normalmente, esse prejulgamento dirige-se às diversidades mais informais e ligadas às classes sociais menos favorecidas, as quais, via de regra, têm menor acesso à educação formal ou têm acesso a um modelo educacional de qualidade deficitária. Nesse sentido, é necessário discutir e refletir sobre a desigualdade social e o ensino dado nas escolas em questão no Brasil.

Primeiramente, vale ressaltar que  a desigualdade social é a principal causa deste tipo de discriminação. Isso acontece devido à má distribuição de renda e o grande contraste econômico que ocorre na sociedade, onde membros das classes mais pobres dominam apenas variedades linguísticas mais informais, por conta de seu acesso precário à educação. Em decorrência dessa precariedade, essa parte da população acaba sendo excluída de ambientes sociais e, até mesmo, seleções de empregos. Não é à toa que, segundo dados de uma pesquisa feita pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a taxa de analfabetismo no Brasil, em 2019, foi de 6,6%. Assim, fica fácil perceber que a desigualdade mantém o país estático na busca pelo fim do preconceito.

Ademais, as escolas também são responsáveis pela prática do preconceito linguístico. Isso decorre do modelo pedagógico vigente que passa ideias errôneas aos estudantes, tal como o pensamento que apenas o português de pessoas letradas é rico e que, por ser proveniente de alguém elevado socialmente, ele deve servir de paradigma para as demais variações. Por consequência dessa influência negativa das instituições de ensino, muitos alunos se formam com esse padrão de língua culta, e pensam que qualquer tipo de alteração está errada. Evidenciando assim, a falta de conscientização, por parte dos educadores, sobre a ausência da homogeneidade e a mutabilidade como características do idioma.

Portanto, torna-se evidente que o preconceito linguístico é um problema socioeconômico que precisa ser solucionado, visto que é um fator que afeta uma camada precária da sociedade. Em razão disso, as escolas, instituições responsáveis por socializar e democratizar o acesso ao conhecimento, deve instaurar o princípio da adequação linguística, o qual não se fala em “certo” ou “errado” na avaliação de uma determinada variação na língua. É dever, também, do Ministério da Educação, pensar em estratégias melhores para facilitar o alcance à uma educação de qualidade para a parte carente da população, a fim de diminuir a exclusão social por meio da língua e do conhecimento em si. Afinal, em um país democrático, todos devem ter acesso à educação e nenhum indivíduo merece sofrer qualquer tipo de preconceito.