Preconceito Linguístico
Enviada em 17/11/2020
Hieróglifos, pinturas rupestres, fala e escrita constituem algumas das formas pelas quais os seres humanos aprenderam a se comunicar. Contudo, a evolução social, associada ao desenvolvimento de uma linguagem mais rebuscada, gerou diversas discriminações. Dentre essas, a materialização do conceito de superioridade de um indivíduo com melhor acesso à linguagem formal em relação a pobres, a sertanejos, etc.
Inicialmente, ressalta-se que a discriminação na linguagem constitui um modo de coerção social - tal como explicitou o sociólogo Émile Durkheim. Dessa forma, analfabetos e semianalfabetos são em sua maioria compreendidos como “massa de manobra” por mão estarem dentro dos padrões de regência e de sintaxe da língua portuguesa. Ademais, inúmeras são as piadas criadas por humoristas relacionadas à linguagem “errada” daquelas minorias, o que contribui sobremaneira para a naturalização da discriminação com base no modo de falar.
Outrossim, o preconceito linguístico é uma forma de exclusão social, como o linguista Marcos Bagno afirmou em 2006 durante palestra na Universidade de Brasília, na medida em que não há, por parte da elite, aceitação da linguagem do sertanejo ou do caboclo. Além disso, o escritor destacou a dificuldade de professores em descontruir o preconceito da língua nas práticas escolares, o que pode perpetuar sentimentos de inferioridade. Sendo assim, a pressão social que a linguagem exerce sobre os indivíduos favorece mecanismos de submissão e de dominação política e social.
Para que, enfim, o preconceito linguístico seja combatido é necessário melhor esclarecimento dos professores/educadores e de alunos durante seus processos formadores, por meio de palestras, rodas de conversa e educação continuada acerca das variantes linguísticas e sua aceitação, intermediado por linguistas engajados na luta pela democratização da linguagem e suas expressões.