Preconceito Linguístico

Enviada em 20/11/2020

Desde a chegada europeia ao Brasil, os europeus acreditavam que seus traços culturais, inclusive sua língua, fossem superiores aos dos índios, sendo esta considerada inadequada pelos povos que aqui chegavam. De maneira análoga, a sociedade vigente tende a ter preconceito linguístico com pessoas que falam diferente da maioria. Nesse viés, o quadro apresentado constitui uma realidade no século XXI, causada pela diferenciação social e a falta de acesso a norma culta para todos.

No contexto vigente, pessoas sofrem  preconceito por sua forma de falar, por motivos de: uso gírias, sotaques, alfabetização e diferença cultural. Segundo a obra sociolinguística “A língua de Eulália”, a protagonista sofre uma diferenciação, pela forma como fala, quando universitárias vão a casa onde ela trabalha. Nesse contexto, a diferenciação social pode causar inúmeras inseguranças para a pessoa que é atingida, como o medo, a ansiedade e a falta de querer se relacionar com pessoas.

De acordo com o doutorando em linguística, Carlucci Medeiros, “Na língua portuguesa existe a norma culta que é aplicada em uma redação do Enem, mas nem todo mundo tem acesso a essa norma e, automaticamente, é privado de estar em alguma instâncias como as universidades”. Paralelamente, uma das principais causas para isso é a desigualdade social, a qual muitos podem ter acesso a um ensino de qualidade, enquanto outros são submetidos ao ensino público que, atualmente, apresenta grandes déficits. Desse modo, prejudicando o futuro profissional dessas pessoas, uma vez que, uma parcela grande de empregadores exigem a norma padrão de quem vai ser empregado, aumentando assim a divisão das classes sociais.

Diante disso, é indispensável que o que aconteceu na chegada dos europeus ao Brasil não seja parâmetro para o futuro da população. Para tanto, faz-se imprescindível que o Ministério da Educação crie aulas extras para pessoas que tenham dificuldade na gramática, por meio de uma plataforma online e gratuita, onde professores de outros estados e cidades consigam ajudar esses alunos fora do período de aula normal.  Além da sociedade ter consciência de que a pluralidade linguística não é um problema, e que existem diversas formas de falar por conta das regiões, estados e países em que as pessoas vivem. Para que desse modo, seja proporcionada a diminuição do preconceito linguístico no país. A partir dessas mudanças, a sociedade brasileira avançará, e haverá garantia dos direitos fundamentais aos cidadãos e dignidade para todos.