Preconceito Linguístico

Enviada em 20/11/2020

De acordo com o poeta nordestino Patativa do Assaré, “É melhor escrever errado a coisa certa, do que escrever certo a coisa errada”. Entretanto, apesar da variedade linguística ser evidente no país, ainda existe a descriminação e a necessidade de julgar a diversidade oral e escrita como “erro”, desta forma destacam - se problemáticas que alicerçam o preconceito linguístico no Brasil: padrão imposto pela elite econômica, fortemente aliado com o preconceito regional.

Em primeira análise, segundo Marcos Bagno, autor da obra literária “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz (1999)”, a discriminação com a variedade linguística deriva de um padrão pré-determinado da elite econômica no país, que insiste em denominar como “erro” tudo que fuja do modelo criado. Em defesa dessa afirmativa, o cordelista Bráulio Bessa, sofreu ataque - em suas mídias sociais - devido a publicação de um poema, que foi julgado como “errado” devido a escrita do autor Patativa do Assaré. Apesar de se tratar de um caso público e exposto no ciberespaço, diariamente uma parcela da população é julgada por sua forma de falar e escrever, desta forma aumenta o muro imaginário do preconceito e segrega ainda mais a população brasileira.

Em segunda análise, atrelado ao padrão imposto durante anos pela elite do país, encontra-se a homofobia. A favor dessa asseveração, encontra-se a grande polêmica nas mídias sociais em relação ao ENEM 2018, que em uma de suas questões abordava o Pajubá (dialeto criado pela comunidade LGBTQIA+ com gírias e expressões específicas da comunidade). Consequentemente, devido a grande repercussão da questão, as gírias e expressões rotuladas da comunidade LGBTQIA+, sofreram aversões explicitas por cidadãos brasileiros que cercearam o direito alheio, garantido pela Constituição Federal de 1888, que promove o bem de todos os indivíduos, sem preconceito de quaisquer forma de discriminação.

Portanto, é necessário que o preconceito linguístico seja retirado do Brasil. É indispensável, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Segurança Pública estabeleçam estratégias que visem diminuir a segregação regional, socioeconômica, racial e sexual causadas pelo preconceito, por meio de palestras remotas e livros de fácil acesso, para ensinar aos cidadãos que não existe uma única linguística, bem como a criação e divulgação de programas de orientação nos veículos midiáticos e plataformas digitais, a fim de aconselhar, ensinar, ajudar e reeducar as famílias brasileiras acerca da polarização oral e verbal, além da inclusão e intensificação do uso de variações linguísticas. A partir dessas mudanças a sociedade brasileira avançará e haverá garantia dos direitos fundamentais aos cidadãos e dignidade a todos.