Preconceito Linguístico

Enviada em 21/11/2020

Sempre ácido e crítico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira do século XIX. Ainda que dois séculos tenham se passado, desde a época que viveu o escritor realista, pouco mudou quando se observa o preconceito linguístico. Diante disso, cabe analisar tanto o assédio linguístico quanto a aplicação intolerante da norma culta como fatores desse cenário, a fim de revertê-lo.

Nessa perspectiva, convém pontuar as diferentes formas de expressão linguística como fonte de discriminação no Brasil. À luz dessa ideia, para o físico Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Não há como negar, portanto, que em um país de grande diversidade cultural, o ato de humilhar o próximo por causa do seu modo de falar é enraizado socialmente, porém, inadmissível.

Outrossim, vale salientar a imposição da formalidade do Português, apesar das diferenças entre a gramática normativa e a língua falada. Nesse contexto, para o filósofo Zygmunt Bauman, a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Desse modo, é possível compreender que não existe uma forma de se comunicar correta ou errada, mas, sim, que a linguagem deve acompanhar a época e o contexto social dos falantes.

Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Logo, a mídia, grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião, deve elaborar campanhas educativas acerca da tolerância linguística. Tal ação pode ser realizada por meio da mídia televisiva, a partir de ficções engajadas sobre as diversas maneiras de comunicação existentes entre os brasileiros, com a finalidade de promover o entendimento de que todas elas são legítimas e devem ser respeitadas. Com tais medidas, espera-se que o pensamento de Assis seja assimilado.