Preconceito Linguístico
Enviada em 24/11/2020
Colonizado por diversas etnias, o Brasil é considerado como um país multicultural e diversificado. Assim, é comum deparar-se com diversos falares entre as regiões, tal como o dialeto nordestino, carioca, sulista e etc. Entretanto, na contemporaneidade, há um desconhecimento e preconceito linguístico por parte dos brasileiros, uma vez que é perceptível a depreciação pelo modo de falar e exclusão social dos indivíduos. Nesse sentido, é importante reconhecer a criação de estereótipos, bem como a acentuação dos demais assédios como causa e consequência dessa problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que a padronização da linguagem sustenta o assédio linguístico preexistente no Brasil. Desse modo, destaca-se que essa situação é decorrente das raízes advindas do processo de colonização, dado que o português foi instaurado como língua padrão do país, em detrimento das nativas, tal como o tupi. Por conseguinte, isso é fomentado até os dias atuais, uma vez que há uma exaltação e enriquecimento lexical da gramática normativa no âmbito educacional, midiático e social, na qual muitas das variantes não são utilizadas, desestimuladas e condenadas. Prova disso é o caso do médico Guilherme Capel que zombou de seu paciente analfabeto, nas redes sociais, por não saber reproduzir corretamente a palavra pneumonia e raio-x.
Em consequência disso, vem à tona o agravamento de outros tipos de intolerância preexistentes. De acordo com o americano Jonh Austin, em sua teoria Atos da Fala, a língua é um instrumento para realizar ações que ultrapassem a função narrativo-descritiva. Dessa forma, pode-se mencionar a realidade da dominação, descriminação e segregação sob as classes inferiores por parte da elite brasileira, visto que esses indivíduos marginalizados possuem baixa escolaridade e desconhecimento de elementos da norma padrão, tal circunstância que implica na forma escrita e oralidade dita como errônea. Análogo a isso é o modo de falar nordestino que é julgado e inferiorizado como pobre, pois é diferente dos grupos com alta influencia econômica e midiática, como exemplo os paulistas e cariocas.
Portanto, é evidente a necessidade de medidas capazes de mitigar essa problemática. Assim, cabe ás escolas, em parceria com a mídia democratizar e instigar o acesso as diferentes marcas regionais presentes no Brasil, por meio de palestras mensais, desde o nível básico ao médio, que abordam o preconceito e a importância da diversidade linguística na formação da identidade nacional, bem como por propagandas televisivas de cunho educativo e cultural que remetem essas mesmas perspectivas as demais parcelas da população, com o objetivo de romper com o padrão estabelecido de “certo ou errado” e proporcionar efetivação dos papéis da língua, como o de agregar, narrar e descrever. No entanto, será possível reverter o cenário atual do assédio linguístico na sociedade.