Preconceito Linguístico

Enviada em 26/11/2020

Após o Período Joanino, as imposições portuguesas aos afro-brasileiros se intensificaram e o preconceito linguístico se tornou uma realidade. Em consonância, o prejulgamento linguístico, hodiernamente, configura um problema expressivo, devido à valorização de uma forma de se expressar em detrimento de outras maneiras. Destarte, deve-se debater acerca do déficit educacional e da inaplicabilidade da lei com relação ao eixo problemático.

Nesse contexto, observa-se que a falta de abordagem educacional a temáticas que valorizem todas as formas de expressão, e não somente a modalidade padrão da Língua Portuguesa, contribui diretamente para a manutenção dos empecilhos. Nessa lógica, de acordo com Sêneca, “a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda vida”. Sob esse prisma, é visível que a sobrecarga de conteúdos técnicos impede a contemplação educacional de valores que são fundamentais para a vida humana, em todos os aspectos, sobretudo, no que diz respeito ao preconceito linguístico no Brasil, o que leva os indivíduos a agirem de forma preconceituosa com as variantes linguísticas. Desse modo, o cenário educacional brasileiro contraria o ideal de vitalidade educacional previsto por Sêneca.

Outrossim, expõe-se que há um lapso na Legislação brasileira, no que diz respeito ao não cumprimento da garantia constitucional que assegura que todos os cidadãos tem o direito de expressar a própria língua livremente. Nessa lógica, afirma-se que a falha do Poder Legislativo em fiscalizar as ações do Poder Executivo corrobora para que este não assegure as sansões previstas em lei, o que contribui para que as pessoas sejam impedidas de utilizar variantes linguísticas sem serem prejulgadas como analfabetas e afins. Dessa maneira, é evidente a necessidade de corrigir as falhas no Legislativo para que o previsto na Carta Magna possa ser executado com êxito.

Portanto, é substancial a tomada de medidas para erradicar o preconceito linguístico no Brasil. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, junto às escolas-maiores formadoras da ética humana-, inserirem conteúdos na Base Nacional Comum Curricular, por meio de debate com professores de Língua Portuguesa, para que os alunos da Educação Básica compreendam a origem das variantes e a importância moral e jurídica de se respeitar as mesmas. Dessa forma, a influência do Período Joanino na manutenção do preconceito linguístico no país deixará de existir.