Preconceito Linguístico
Enviada em 29/11/2020
No filme brasileiro “Ó pai ó”, é retratado a realidade da sociedade baiana e seus aspectos culturais, no entanto em diversas cenas do filme percebe-se um preconceito linguístico sobre as gírias e dialetos baianos.Fora da ficção, a realidade apresentada não é diferente, visto que no Brasil tem-se normalizado essa problemática. Esse cenário preocupante é fruto não só de um descaso da sociedade a esse assunto, mas também a incerteza da punição dos indivíduos que cometem esse crime.
Mormente, deve-se salientar que o descaso da sociedade sobre o preconceito linguístico tem resultado na normalização desse problema.Nesse viés, tal realidade encontra-se em conformidade com a teoria da filósofa Hannah Arendt, “Banalidade do mal”:segundo ela, é quando um certas atitudes prejudiciais deixam de ser tratadas como absurdas e passam a ser consideradas algo normal pela sociedade.Percebe-se, então, que a problemática segue o conceito da pensadora, já que a sociedade tem tratado o preconceito linguístico com certa banalidade.Prova disso são informações do site “gazetadopovo”, os quais afirmam que na última década os casos de preconceito linguístico dobrou e ainda assim a sociedade tem desprezado o debate sobre o assunto, pois não existe nenhuma lei protetiva.Dessa maneira, nota-se que o descaso da sociedade sobre essa questão tem causado um aumento de casos e preocupado o futuro das gerações que podem sofrer com esse problemática.
Nesse contexto, ressalta-se que, adjunto ao citado, a incerteza da punição dos indivíduos que cometem esse crime contribuem para permanência da preconceito linguístico no país.Sob esse prisma, compara-se essa situação com a teoria do pensador iluminista Cesare Beccaria, em sua teoria Beccaria afirma que o que impede o crime não é a dureza da pena,mas a certeza da punição.Atenta-se,assim, que a questão segue o caminho próximo ao do pensador, já que a impunidade dos infratores é o que vem contribuindo para o aumento desse problema.Verifica-se isso quando, segundo dados do site “scielo”, os quais afirmam que apenas 2 a cada 10 casos de preconceito linguístico são punidos no país.Dessarte, é notório que a incerteza da punição tem contribuído para o aumento da problemática.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater o preconceito linguístico no Brasil.Para que isso ocorra, cabe à mídia conscientizar a população, mediante propagandas televisivas em horários nobres, porque assim obtém-se um alcance maior de público, com o objetivo de mitigar o descaso da população sobre o preconceito linguístico.Ademais, cabe ao Ministério Público promover a punição desses infratores, por meio do uso de leis já existentes, porque o que garante a punição é a aplicação das leis já existentes não da criação de novas leis, a fim de mitigar a questão da incerteza da punição. Assim é possível viver um país justo e coeso e oposto a realidade apresentada em “Ó pai ó”.