Preconceito Linguístico

Enviada em 26/11/2020

De acordo com o projeto modernista de 1922, liderado pela figura de Oswald de Andrade, a linguagem nacional é enriquecida pelas variações linguísticas e desvios gramaticais que a torna um diferencial único. Entretanto, já no século XXI, a percepção de contribuição das inadequações linguísticas não se faz presente, pelo contrário, é condenável, o que gera problemas que realçam a segregação social  — um impasse alarmante. Assim, é possível afirmar que não só a perspectiva ingênua de enquadrar a língua em um molde fixo, mas também a preocupação em como se fala ao invés de um entendimento efetivo da mensagem fomentam o status quo contemporâneo: a presença personificada do preconceito linguístico.

Inicialmente, é necessário dizer que a linguagem é dinâmica, e não estática como alguns gramáticos gostam de propor, ainda que devam admitir que uma regra universal ambiciosa em unificar a forma dos códigos bate de frente com a aceitação das diferenças. Essa diferenciação da linguagem se corrobora em grandes escritores como, por exemplo, Guimarães Rosa, autor de “Grande Sertão: Veredas”, que se apropria de variações do interior nordestino e também cria  — mestre nisso  — novas palavras. A priori, uma obra como a mencionada, patrimônio da literatura brasileira, confirma a inaceitação de julgamento sobre deslizes da norma culta e enfatiza a plasticidade da língua.

Ademais, o culto à forma, em decadência da clara interpretação, é outro impasse, tendo em vista que, por anos, a dicção, a seleção lexical e a formação de frases estipulam a classe pertencente do emissor. Isso se mostra irrefutavelmente visível em documentos oficiais como a própria Constituição Federal e sua erudição vocabular  — o que exclui a maioria da população do acesso à compreensão, uma verdadeira exploração do preconceito linguístico.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino, realizar a conscientização em massa por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias que discorram sobre a descabida irresponsabilidade de se julgar pela forma com que se fala, além de mencionarem o nome de grandes escritores que cometem erros  — que , ainda assim, não perdem notoriedade. Somado a isso, cabe também ao Estado fornecer versões simplificadas da legislação brasileira por meio de endereços virtuais de fácil acesso para esclarecer a população. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria signficativa no comportamento individual em relação à língua.