Preconceito Linguístico

Enviada em 07/01/2021

Na novela “Êta Mundo Bom” é retratada, pejorativamente, uma família do interior que possui uma linguagem coloquial, com gírias, diferentes da língua formal. Por isso, torna-se necessário o debate acerca do preconceito linguístico. Assim, pode-se dizer que a má influência midiática e o etilismo educacional são os principais responsáveis pelo quadro.

A priori, é imperioso destacar que a carga negativa e preconceituosa sobre a linguagem coloquial de diferentes regiões do país é fruto da má influência midiática. Isso porque, há uma retratação negativa, por meio de filmes e novelas, do linguajar de diferentes indivíduos. Segundo Pierre Bourdieu, filósofo: “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão”, no entanto, os grandes veículos de mídias forçam preconceito para alívio cômico, logo, disseminam uma opressão contra diferentes grupos sociais. Diante disso, é substancial a alteração desse quadro que vai denigre a imagem de pessoas com linguajar coloquial.

Outrossim, é imperativo pontuar que a boa qualidade de ensino para apenas uma porção da sociedade deriva do elitismo educacional. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao observar a pandemia de 2020, em que as aulas tornaram-se virtuais e cerca de um a quatro brasileiros não possuíam acesso à internet, de acordo com pesquisas do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Ora, se os indivíduos não possuíam internet, como iriam estudar? Assim, entende-se o porquê da perpetuação do imbróglio. Desse modo, faz-se mister a reformulação estrutural da base escolar.       Depreende-se, por conseguinte, a necessidade de se combater o preconceito linguístico. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação – ramo do Estado responsável pela formação básica escolar – inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a matéria de Variação Linguística do Brasil inteiro, de cunho obrigatório em função da sua necessidade, para que a opressão contra diferentes maneiras de falar seja combatida. Ademais, o Ministério da Tecnologia, com o auxílio do Ministério da Educação, deve disponibilizar internet e computadores para alunos que não possuem conseguirem obter um ensino de qualidade, através de doações desses itens, para que o etilismo educacional seja diminuído.