Preconceito Linguístico
Enviada em 04/12/2020
“É muito difícil vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos: o País dos privilegiados e o País dos despossuídos”. Essa afirmação feita pelo escritor brasileiro Ariano Suassuna, explica, pelo menos em partes, por que o preconceito linguístico ainda é um desafio para o Brasil.
A priori, é preciso considerar que esse é um problema histórico. A colonização brasileira foi marcada pelo domínio de um povo sobre outros, e a repressão e a ideologia de exclusão pela língua foi fortemente utilizada para segregar os diversos povos que formam a nação, bem como para obter o controle social. Nesse sentido, muitas línguas e dialetos sofreram e ainda sofrem com o processo de extinção, segregação e preconceito, uma vez que a língua portuguesa foi normatizada e institucionalizada para garantir a unidade e poder político. A exemplo dessa realidade, tem-se o recente relatório divulgado pela UNESCO, o qual revela que 190 idiomas correm risco de extinção no País.
Em segundo lugar, deve-se levar em conta que instituições como a escola reforçam o preconceito linguístico. O livro “A língua de Eulália”, do escritor e linguista Marcos Bagno, retrata como a escola, bem como muitos educadores falham nas práticas escolares, já que essa perpetua a discriminação linguística. Dessa forma, tanto os outros idiomas presentes no País, quanto as diversas variações da língua portuguesa acabam sendo tidas como erradas e, assim, excluindo os indivíduos que não utilizam a língua oficializada como forma usual.
Diante disso, cabe a Secretaria da Cultura, juntamente com a mídia, promover propagandas e ações que representem e valorizem as diversas línguas existentes na nação. Ademais, as instituições de ensino, agentes responsáveis pela formação e construção dos indivíduos, devem propor práticas pedagógicas democráticas que visem reconhecer as variações linguísticas como pertencentes à cultura nacional. Esta deve ser realizada por meio de projetos e aulas que ensinem tanto a diversidade das línguas, quanto o seu processo de formação, a fim de combater esse preconceito que persiste no Brasil. Somente assim, será possível vencer as injustiças que a muito dividem o País.