Preconceito Linguístico
Enviada em 12/12/2020
Em 1964, Mafalda - personagem fictício de Quino - criticou o comportamento humano contra as mazelas sociais, alegando vivermos em um mundo baseado na irresponsabilidade, seja no campo político, seja na área social. Nesse contexto, ela aponta para a fragilidade do sistema público no combate ao preconceito linguístico, a qual, por falta de investimentos em programas educativos de estímulo ao respeito, promove a intolerância no Brasil. Assim, observa-se a necessidade de analisar os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.
A princípio, vale ressaltar o progresso obtido na luta para assegurar o direito à fala. Nesse sentido, Mário de Andrade, importante poeta brasileiro, afirmava que ‘‘O passado é lição para se meditar, não para se reproduzir’’. Tal assertiva faz referência ao Período Colonial, quando a língua indígena era considerada um mecanismo de comunicação sem valor, ou seja, os europeus buscavam constantemente alfabetizar os nativos com a língua europeia e, por conseguinte, provocar a extinção da cultura oral dos ameríndios. Tendo em vista tais fatores, hoje, a língua indígena é considerada como Patrimônio Cultural Imaterial, com vista a promover sua valorização e sua conservação no Brasil.
Não obstante, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados para minimizar o preconceito linguístico. Nessa lógica, desde a Colonização, inúmeros índios alegam sofrer humilhação quando se comunicam com indivíduos de outras culturas, segundo dados da plataforma digital O Globo. Isso ocorre devido à falta de incentivos pelo Ministério da Educação em palestras e gincanas escolares capazes de alertar a população sobre a importância de preservar a língua indígena na sociedade brasileira. Considera-se essa situação grave, tendo em vista que não investir em projetos sociais capazes de incentivar a valorização da língua indígena vai em desencontro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo é garantir o respeito à cultura a todos os cidadãos.
Depreende-se, portanto, que ações contra o preconceito linguístico devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgãos responsável pelo ensino, deve investir em propagandas de educação social para ressaltar a importância da língua indígena, por intermédio de aulas extracurriculares nas escolas para alunos e comunidade, com o intuito de minimizar a intolerância e de maximizar a valorização da cultura oral dos ameríndios. Ademais, cabe ao Ministério da Cultura tornar possível o surgimento dos ‘‘mutirões da conscientização’’, por meio da disponibilização de apresentações educativas em praças públicas, onde a sociedade poderá ter acesso às orientações sobre respeitar, igualar e promover a participação da língua indígena no contexto social. Dessa forma, buscamos construir um mundo com menos irresponsabilidade humana, onde Mafalda pudesse elogiar.