Preconceito Linguístico

Enviada em 14/12/2020

A abertura dos portos, datada do ano de 1808, teve como efeito a vinda de diversos imigrantes e a intensificação do tráfico de escravos no Brasil. Tal contexto, propiciou um grande processo de miscigenação no território brasileiro, o qual desencadeou a estruturação de diferentes etnias, culturas e, principalmente, línguas em toda nação. Contudo, mesmo tendo suas raízes históricas, os dialetos e regionalismos em todo o país sofrem com o preconceito linguístico, fato que empobrece a identidade nacional. Assim, é preciso compreender como a origem brasileira vai de encontro a esse preconceito, bem como o papel da escola nesse cenário.

Em primeiro plano, vale ressaltar que o Brasil é um país que possui uma identidade miscigenada. Nesse sentido, o escritor Gilberto Freyre, em seu livro “Casa Grande e Senzala”, afirma que por sermos uma sociedade formada por diferente etnias e culturas, temos uma grande atenuação de conflitos. Entretanto, ao analisar o atual contexto de discriminação linguística no território nacional, percebe-se que esse pensamento não se concretiza, pois há um grande contingente de culto ao academicismo, que fere diretamente as expressões de fala regionais e socioculturais. Logo, nota-se que, ao assumir apenas um tipo de fala e língua correta, a parcela da população a qual não se encontra neste meio é marginalizada oralmente pela sociedade.

Ademais, as instituições de ensino possuem grande importância na quebra dessa mazela. Sob tal ótica, o sociólogo Durkheim, em sua teoria sobre a socialização, diz que na formação primária – infância - do indivíduo é que se aprende a respeito das normas e valores da sociedade. Desse modo, a escola, por ter grande presença na formação do cidadão, tem a função social de instruir a população, de maneira a formar pessoas respeitosas e que compreendam as diversas culturas e línguas do país, mitigando a perpetuação dos preconceitos atuais. Portanto, faz-se imperativo uma ação educacional para reverter o panorama vigente.

Diante do exposto, é evidente que o preconceito linguístico é um entrave que precisa ser solucionado. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação – órgão responsável pela Política Nacional de Educação – estruturar um plano de ensino que inclua de forma obrigatória o estudo das diferentes culturas no Brasil, a exemplo de regionalismos, por meio de alterações na Base Nacional Curricular Comum, com o fito de tornar a sociedade brasileira mais harmônica e respeitosa. Com tal medida, será possível subverter o cenário atual de estigmas de oralidade na nação.