Preconceito Linguístico

Enviada em 16/12/2020

O movimeno literário do Parnasianismo se caracterizou pela exaltação ao rigor formal da Lingua Portuguesa em suas obras, com exclusão de outras variantes. Séculos mais tarde, mesmo após as inovações linguísticas dos modernistas no início do século XX, a perpetuação da normal padrão como sendo a única correta se mantém no país. Com efeito, evidencia-se a criação de um cenário de preconceito linguístico no Brasil, que perdura em virtude da discriminação social somada à ausência da escola na temática.

É importante ressaltar, primeiramente, que a atual problemática brasileira tem intrínseca ligação com a marginalização de parcela da população. Sob esse aspecto, o linguísta Marcos Bagno, em sua teoria, disserta que o preconceito linguístico é mais uma das formas de discriminação imposta pela elite sobre as minorias políticas. Assim, a desqualificação de variantes linguísticas, bem como de sotaques e expressões regionais, são uma forma de exclusão social que mantém o poder hegemônico. Como exemplo desse processo, observa-se o episódio de insultos sofrido pelos nordestinos, durante as eleições de 2018, menosprezando seu linguajar e desmerecendo sua participação na política nacional.

Ademais, outro fator que corrobora a manutenção desse tipo de preconceito é a omissão da escola na conscientização de jovens e crianças. Nesse viés, Kant, em sua tese, preconiza que o homem é aquilo que a educação faz dele. No entanto, apesar de, na teoria, a Base Curricular Nacional (BCN) obrigar as escolas a ensinar as variantes linguísticas, na prática, as instituições de ensino não tem cumprido seu papel, contrariando preceito filosófico. Sobre esse perspectiva, o quadro “Profissão Repórter”, em episódio sobre a educação, retratou que, na maioria das escolas do país há um déficit de professores de português e, quando eles atuam, lecionam apenas o conteúdo básico, ou seja, o português padrão.

Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico enfrenta desafios devido às discriminações sociais aliada à falta de zelo escolar. Urge, dessa forma, que o Ministério da Educação (MEC), por meio de parcerias com a mídia, crie campanhas de conscientização acerca do preconceito no país. Tais campanhas devem ser direcionadas ao público em geral e contar com a entrevista de especialistas, como linguísticas e escritores, que deverão explicitar a existência e importância das variações da língua na composição da Lingua Portuguesa. Além disso, o MEC deve, por meio de comunicado, instruir as escolas sobre a necessidade do cumprimento da BCN e seus impactos para a população. Feito isso, oa população terá consciência sobre o preconceito com a pluralidade da Lingua Portuguesa e, enfim, poder-se-á deixar esse cenário no passado do Parnasianismo.