Preconceito Linguístico

Enviada em 23/12/2020

Originada do latím, a língua portuguesa apesar de possuir a norma culta, é ramificada por entre diversas variações, que advém do grau de escolaridade, idade, região geográfica e outros. Constrastante a isso, o livro “A língua de Eulália”, escrito por Marcos Bagno, demonstra que o preconceito linguístico faz-se presente na sociedade brasileira. Em paralelo, a realidade de muitos é descrita da mesma forma que na obra, fazendo-se sentirem inferiores por não serem falantes do português que erroneamente é considerado “correto”. Nesse contexto, esse contraste construído preconceituosamente é fruto de uma nação que possui falhas na educação, assim como, a falta de políticas públicas para punir aqueles que demonstram de forma humilhante a sua superioridade.

A priori, é imprescindível a busca igualitária pela educação básica em um país marcado pelas desigualdades sociais. Nesse sentido, a Constituição elaborada em 1988 assegura a todos o direito à alfabetização básica, porém, infelizmente, a realidade consiste em uma disparidade social, favorecendo apenas uma parcela da população. Esse fator é oposto a tese defendida pelo filósofo inglês John Locke, em sua ideia de contrato social, a qual consiste em confiar no Estado pela busca de direitos. Assim, o preconceito linguístico pode ser observado de forma a segregar aqueles que tiveram acesso às escolas e aqueles que não.

Simultaneamente, a vertente do preconceito linguístico alcança outra base, que se caracteriza pela sensação de superioridade. Dentre as pessoas alfabetizadas, algumas acreditam que a gramática normatiza é a única forma correta de expressar a língua portuguesa. Esse sentimento está baseado na teoria de eugenia, considerada como a base do nazismo, a qual acreditava que uma parcela da população estava destinada a ser superior. Isso, porém, na atualidade também compactua com a eliminação das variantes que se estabeleceram no país ao longo dos séculos, visando eliminar parte da cultura imaterial deixada por vários povos.

Em virtude dos desafios supramencionados, urge, pois a necessidade de solucionar essa problemática. Para isso, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), em conjunto com o Ministério da Integração Nacional, deve elaborar um projeto de lei que por meio da Câmara dos Deputados possa entrar em vigor. Nesse projeto, criaria-se uma espécie de bolsa educação que consiste no direito a um salário mínimo por família dado a cada membro alfabetizado, para que assim ele possa possuir da educação básica e receber um incentivo para tal. Também, os mesmos orgãos, deveriam por meio da mídia buscar conscientizar acerca do preconceito linguístico para toda a população. Finalmente, espera-se então, que no futuro, esse problema possa ser solucionado.