Preconceito Linguístico

Enviada em 19/12/2020

Constrangimento, exclusão e coerção são algumas das situações vivenciadas pelos brasileiros que dialogam ou escrevem de forma distinta da gramática normativa. Sob essa ótica, é preciso erradicar o preconceito linguístico que não valoriza a diversidade de um vocabulário tão rico como o do país. Assim, políticas educacionais devem ser implantadas a fim de mitigar a humilhação e a dominação ideológica que a língua pode exercer.

Em primeira análise, deve-se pontuar que, análogo ao conceito de poder simbólico para Bordieu, a dominação pode ocorrer de maneira invisível na sociedade, isto é, o uso de um vocabulário rebuscado permite a coerção de pessoas que não possuem a mesma oratória. Dessa maneira, classes mais abastadas utilizam-se da língua para subjulgar e impor uma posição de poder diante dos mais humildes que, inclusive, acabam aceitando de forma ímplicita a condição de inferioridade. Logo, é notório que esse preconceito  linguístico insere-se nas periferias do país, fato que deve ser atenuado.

Além disso, vale salientar que a variação vocabular é fruto da colonização brasileira, cuja miscigenação foi fundamental para a pluralidade de dialétos existentes como os do baiano e gaúcho, por exemplo. Diante disso, é importante que a população entenda a variação linguística como patrimônio cultural e não como erro, pois já afirmava Marcos Bagno ’’ desde que haja comunicação, não há erro. Portanto, medidas educacionais devem ser efetivadas para garantir que essa riqueza da linguagem seja cultivada.

Em virtude dos fatos mencionados, uma solução plausível para que o preconceito linguístico não torne a língua mais pobre é a criação do projeto ‘‘Vozes Brasileiras’’ pelo Ministério da Educação (MEC). Posto isso, por meio de verbas federais, será subsidiada a implantação da disciplina chamada ‘‘Linguística’’ em todas as escolas fundamentais do país. Nesse viés, aulas sobre a importancia da pluralidade da língua serão ministradas por professores de português, no fito de esclarecer que falar diferente não é errado. Ademais, a Mídia vai divulgar propagandas que alertem o cidadão a não ser coagido pela língua, assim, o patrimônio cultural será preservado.