Preconceito Linguístico
Enviada em 23/12/2020
Durante o período artístico modernista vivenciado pelo Brasil em 1922, o movimento verde-amarelista consistia em defender a valorização irrestrita de símbolos e elementos que fossem puramente oriundos da cultura brasileira, rejeitando todo tipo de cultura estrangeira. Apesar do fim do movimento, esse manifesto ufanista ainda encontra-se na identidade cultural brasileira ao expor o preconceito linguístico como responsável pela segregação decorrente de ideais extremistas além de ser precursor da perpetuação da desigualdade social permanente no país.
Diante desse cenário, a série de televisão “Anne with an e”, produzida pela Netflix, retrata o cenário de intolerância vivenciado pelas pessoas que, por possuírem características de locais diferentes, são menosprezadas em decorrência de sua própria cultura. De mesmo modo, ao distanciar-se da ficção, o panorama social permanece o mesmo tendo em vista a defesa de ideais que promovem a segregação cultural por julgar que tudo aquilo que é diferente é interpretado como algo ruim, assim como foi vivenciado pela Alemanha durante o regime nazista e pelo Brasil durante o regime militar.
Paralelo a isso, na obra “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, do escritor Carlos Bagno, o autor denuncia através de seu livro a concepção inconsciente das classes mais altas em relação à variedade informal da língua portuguesa sendo vista como características de pessoas que não possuem acesso à educação. Por conseguinte, cria-se a visão de que o domínio da norma culta pode ser comercializado e concomitantemente comprado pelos cidadãos de maior poder aquisitivo ao adquirir uma linguagem rebuscada, fator que leva ao acentuamento da desigualdade social proveniente da xenofobia.
Dessarte, evidencia-se que o preconceito linguístico é responsável pelo incentivo de ideais exclusivistas e precursor da desigualdade social. Por isso, como medida de contingência imediata, o poder executivo deve intensificar a fiscalização sobre o artigo 5º contra danos morais, e para plano de conclusão a longo prazo, o Ministério da Educação deve alinhar-se com as instituições escolares para implementação de projetos que visem trocas entre diferentes culturas a fim de que o preconceito e a xenofobia sejam, gradativamente, deixados no passado.