Preconceito Linguístico
Enviada em 28/12/2020
Em “Vidas Secas”, o autor Graciliano Ramos, retrata a triste realidade da época em que havia a ideia de inferioridade do português coloquial e dialetos como o do norte e nordeste em detrimento dos falantes da norma culta. Fora da ficção, cabe considerar que essa é também a realidade verificada, infelizmente, na atualidade brasileira. Nesse contexto, a partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só à herança histórica cultural, mas também à lacuna educacional.
Em primeiro plano, a herança histórico cultural é a principal responsável por esse imbróglio. Segundo a teoria sobre o ‘‘Habitus’’, do sociólogo Pierre Bourdieu, as estruturas sociais são incorporadas durante o processo de socialização. Nessa perspectiva, a formação social das culturas brasileiras baseadas no etnocentrismo europeu - caracterizado pela imposição da língua portuguesa aos nativos em desfavor de outras existentes - foram naturalizados pela sociedade e reproduzidos ao longo das gerações. Por consequência, o preconceito linguístico afeta de maneira negativa a sociedade, tornando-se uma ferramenta de segregação social.
Outrossim, a lacuna educacional contribui para a perpetuação dessa mazela. De acordo com a teórica Vera Maria Candau, o modelo de escola atual não oferece propostas significativas para as exigências contemporâneas. Nesse sentido, observa-se uma insuficiência de conteúdos relativos à aproximação do indivíduo com a da diversidade linguísticas brasileira desde os primeiros anos escolares, diminuindo o contato do estudante sobre a importância de estudar e conhecer os diferentes falares do país. Dessa maneira, enquanto houver uma negligência às variantes da língua nas escolas, o Brasil da diversidade cultural reproduzirá intolerância às múltiplas formas de uso do rico idioma brasileiro.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, deve capacitar profissionais para trabalharem o multiculturalismo dentro da sala de aula, por meio de debates e palestras. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade, a afim de forma cidadãos que reconheçam e valorizem suas heranças culturais. Além disso, esse órgão, em parceria com os meios de comunicações, crie campanhas educacionais, por meio de ficções engajadas, a fim de desconstruir a estigmatização de determinados formas de falares e dialetos. Dessa forma, o brasileiro protegerá o património imaterial da nação e o preconceito retratado em de “Vidas Secas” ficará somente nas páginas ficcionais.