Preconceito Linguístico
Enviada em 12/01/2021
O processo de colonização brasileiro marcou a desestruturação das instituições indígenas, além de, também, impor a língua portuguesa. Assim sendo, houve-se a miscigenação de línguas, como o português de Portugal e a língua Tupi, falada por indígenas no séc. XVI. Entretanto, se por um lado tal mistura originou ricas variações, por outro, resultou no preconceito e intolerância linguístico. Com efeito, hodiernamente, é evidente a enraização da descriminação de variantes de fala no Brasil.
A priori, na ciência, o nome científico universaliza a comunicação entre cientistas do mundo todo, de forma que o nome de animais ou plantas que são conhecidos popularmente de acordo com a região, é padronizado na comunidade científica. Analogamente, a forma padrão da linguagem, caracterizada por regras gramaticais, garante a uniformização da língua escrita . No entanto, tais variações surgidas ao longo do tempo resultam na divisão e preconceito linguístico na sociedade, visto que muitos tendem a vê- lá como língua comum que deveria ser falada por todos. Destarte, faz- se imprescindível a dissolução dessa conjuntura que não possibilita o livre direito de expressão do cidadão.
A posteriori, a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante a todos o direito de igualdade. Contudo, o fato não se aplica na prática, tendo em vista a divisão em razão das classes no Brasil que impossibilita o acesso da parcela excluída financeiramente. Assim, uma pessoa que possui melhores condições pode pagar pelo acesso ao ensino, enquanto uma que não possui os mesmos benefícios ficara retida em seu círculo linguístico e impossibilitada de ampliar seu conhecimento sobre as variantes. Dessa forma, é visível que, a falta de renda dificuldade a acessibilidade à educação de qualidade e o conhecimento das diversas alternativas da língua.
Em suma, diante dos fatos aludidos, é mister que escolas, em conjunto com a comunidade escolar, implantem medidas que combatam a segregação de línguas, através de projetos como a “Semana da valorização linguística”, em que sejam debatidos assuntos sobre a problemática com o objetivo de conscientizar a todos. Ademais, é essencial que haja a divulgação sobre o conceito de certo e errado, por meio de vídeos nas mídias e, principalmente, através de perfis fortes em redes sociais, como “Quebrando o Tabu”, perfil que fala sobre problemáticas na comunidade. Desse modo, será possível desconstruir a ideia de uma língua única e consolidar um Brasil livre de preconceitos e barreiras.