Preconceito Linguístico
Enviada em 05/01/2021
No filme “Que horas ela volta?”, estreado em 2015, nas telas de cinemas, retrata, ao longo do enredo, a variação do diálogo entre uma empregada do Ceará e seus patrões de São Paulo. Contudo, é notório que a variação linguística impacta não apenas a questão da desigualdade social, mas também ao constante preconceito diante da população, visto que uma parcela da sociedade se mostra incapaz de aceitar a diversidade da língua. Logo, urge que o Estado encontre meios para reverter esse cenário.
Em primeira análise, vale destacar que, no ano de 1948, a Organização das Nações Unidas-ONU- estabeleceu a língua como um Patrimônio Imaterial da sociedade. Entretanto, o constante discurso de ódio, perante o meio social, em decorrência da variação linguística, tanto por fatores regionais, quanto por questões da desigualdade social, vão de encontro com o que explícito pelas Nações Unidas, ou seja, a questão da variação da língua se mostra uma constante contradição diante do meio social. Além disso, tal prerrogativa corrobora com a teoria “habitus” do sociólogo Pierre Bourdieu, o qual deixa evidente que a sociedade adere os costumes do meio a passa para as próximas gerações, ou seja, a variação da língua em diferentes regiões é vista de maneira errada desde tempos anteriores. Além disso, por mais que o Brasil seja considerado um país multicultural, o preconceito linguístico se mantém como prática comum e capaz de afetar o Patrimônio garantido em 1948.
Em segundo plano, ainda que o filósofo Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito Linguistico”, o qual aborda que não há uma maneira certa ou errada de se falar, e sim uma linguagem que se adapta ao meio. Tal realidade não distorce do cenário apresentado, uma vez que a pluralidade fonológica de diferentes regiões representa sua cultura e origem social. Entretanto, diante do cenário apresentado, a mídia social costuma tratar, de forma lúdica, os fatores sociais de diferentes regiões- a exemplo dos indivíduos do Nordeste- que sofrem grande opressão das demais localidades pela sua forma de falar. Além do mais, porquanto, tais preconceitos se mantiverem no meio social, o problema do Estado Democrático, em relação à exclusão linguistica, será um impasse para garantir igualdade no Brasil.
Portanto, para atenuar o preconceito lingustico no Brasil, faz-se necessário que o Estado, em parceria com o Ministério público e por meio da mídia, desenvolva uma plataforma digital com ditos regionais específicos de cada localidade, bem como por meio dessa plataforma ocorra o diálogo entre a população de diferentes regiões, a fim de promover um maior conhecimento da cultura de diferentes localidades. Ademais, os órgãos públicos, por meio do Ministério público e da Educação, devem promover o julgamento daqueles que cometeram tal preconceito linguístico, com o intuito de evitar que outras pessoas venha a repetir tal fator, além do apoio do MEC, para promover o conhecimento social.