Preconceito Linguístico
Enviada em 06/01/2021
Segundo o professor, linguísta e filólogo Marcos Bagno: Preconceito linguístico é todo juízo de valor negativo às variedades linguísticas de menor prestígio social. No Brasil, tal preconceito é muito notório no âmbito socioeconômico e regional, pelo fato de às pessoas julgarem tal língua como “feia” ou “bonita”, “certa” ou “errada” de acordo com a regionalidade ou posição social de um indivíduo.
Em primeiro lugar, ainda segundo Bagno “Língua é poder e todo preconceito linguístico é no fundo um preconceito social”. No Brasil, existe uma forte hierarquia civil, onde há uma concepção por parte da elite socioeconômica e sociocultural de que todos devem seguir o mesmo padrão linguístico, que seria a norma culta. Por conseguinte, quem não têm conhecimento dessa norma, acaba sendo discriminado e excluído na área profissional por ter seu linguajar taxado como impróprio ou incorreto.
Ademais, o preconceito linguístico regional se faz muito presente no país de forma silênciosa. Quando em programas e novelas se vê um personagem pobre e sem estudos, logo se liga o linguajar do Nordeste à essa figura, trazendo a concepção de que o modo de falar nordestino é inferior ao de outras regiões. Outrossim, um exemplo seria o livro “Vidas Sêcas” de Graciliano Ramos, que em certo capítulo mostrava a realidade árdua do sertão nordestino, onde Fabiano, protagonista da obra, escutava de seu patrão que ele não poderia protestar contra a vida difícil porque as pessoas não entenderiam o que ele falaria ao não usar a “norma padrão” da língua. Tal fato mostra como as pessoas dessas regiões sofrem com a discriminação linguística regional.
Em síntese, nota-se que o preconceito linguístico traz graves consequências aos mais desfavorecidos. Assim sendo, é preciso que as escolas abordem o tema de forma mais intensiva, por meio de palestras e campanhas que visem mostrar aos alunos a vasta variedade da língua brasileira e a beleza de cada uma delas. Além disso, a mídia através de programas educacionais deve buscar informar as pessoas sobre a riqueza da diversidade linguística e como essas diferenças contribuem para a identidade do país. Por consequência, devido a tais mudanças haverá grandes melhorias em relação ao preconceito linguístico no Brasil.