Preconceito Linguístico

Enviada em 10/01/2021

Na obra infantil “Turma da Mônica” do célebre escritor Maurício de Sousa, o personagem Cebolinha é alvo de piadas por trocar a letra “R” pela“L” ao se expressar. De maneira análoga, o preconceito linguístico perpetua no cenário brasileiro, o que impossibilita o alcance do bem-estar social. Assim, faz-se pertinente debater acerca do problema que não é observado tanto pelo poder público quanto pela sociedade, mas que precisa ser devidamente combatido.

Em primeira instância, é preciso reconhecer que a negligência governamental corrobora a existência do problema. Durante o processo de colonização no Brasil, diversas culturas e línguas chegaram ao território nacional, o que gerou a miscigenação no país. Assim sendo, cada estado tem a sua variação da língua portuguesa. Todavia, há uma construção escolar e midiática que considera apenas um jeito de falar, marginalizando os demais. Desse modo, o preconceito ocorre pela não aceitação de determinadas variações linguísticas, instaurando um cenário de disparidade social.

Ademais, a inépcia social contribui para a ocorrência do problema. Segundo o sociólogo Michel Foucault, em seu livro “Microfísica do Poder”, existem diferentes mecanismos de opressão e dominação, e a língua é um mecanismo de dominação. Nesse sentido, o preconceito linguístico é um grande fator de exclusão social, pois a classe dominante afirma que há certo e errado na língua, sem compreender as diferenças regionais que fazem parte da cultura brasileira. Dessa maneira, indivíduos com um nível superior de escolaridade ridicularizam o modo de falar dos demais.

Torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas com o intuito de coibir o conflito apresentado. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde discutir com as crianças e jovens, por meio de debates e seminários dentro do ambiente escolar, as diferentes variações linguísticas no país, para que elas compreendam que não há maneira certa e errada na língua. Além disso, o Governo Federal deve realizar campanhas, vinculadas às mídias- redes sociais, rádio e TV- abordando o tema em questão, com o intuito de conscientizar a sociedade e mitigar o quadro de preconceito linguístico no país. Somente assim, a problemática central observada na obra “Turma da Mônica”, será contornada no Brasil.