Preconceito Linguístico
Enviada em 07/01/2021
Dostoiévski, escritor russo, diz que o homem pode ser definido como um ser que se habitua a tudo. Sob tal ótica, é inegável que, no Brasil, esses “hábitos” não estão bem direcionados o que, consequentemente, torna dificultoso o combate ao preconceito linguístico no país. Isso ocorre não só devido à educação deficitária, mas também à ausência de empatia social.
Em conformidade com o filósofo estoico Sêneca, a educação exige os maiores cuidados, pois influi sobre toda a vida. Nesse sentido, é indubitável afirmar que as escolas são instrumentos essenciais para que, desde muito cedo, o conhecimento sobre a diversidade brasílica chegue até à população. Porém, no Brasil, há uma insistente atitude lamentável de “cegueira coletiva” que corrobora para que a educação não seja prioridade na comunidade, fazendo com que melhorias socioculturais, como o respeito à heterogenia linguística, tornem-se brutalmente árduas e lamentavelmente insatisfatórias. Portanto, fica evidente que enquanto a sociedade permanecer com as mãos cobrindo-lhe os olhos, o país continuará em um estado precário de desrespeito entre compatriotas inter-regionais.
Ademais, a ausência de empatia social é temerária ao sodalício. Segundo o cantor e compositor Jimi Hendrix, para mudar o mundo, você precisa antes mudar a sua cabeça. No entanto, há uma extrema dificuldade dos indivíduos de se colocarem no lugar do outro, o que ocasiona a incapacidade de compreender a visão de realidade de pessoas “diferentes” e de ter consciência de que o mais importante é a comunicação, não importando quais trejeitos sejam inseridos nela. Nessa lógica, percebe-se o quanto é dificultoso mudar a mentalidade de pessoas que já possuem uma opinião formada e implacável quanto à diversidade, fazendo com que, infelizmente, o desrespeito a diferentes tipos de dialetos ocorra.
Desse modo, percebe-se uma necessidade de melhoria educacional e de uma sociedade mais empática. Em síntese, cabe ao Ministério da Educação – por meio da criação de uma nova regulamentação – iniciar um projeto chamado “Professores De Lá Para Cá”, no qual, semestralmente, docentes de língua portuguesa darão aulas para alunos de diferentes lugares do Brasil. Estes, por conseguinte, levarão para dentro das escolas, além de sua própria variante linguística, o conhecimento quanto as outras diversas existentes no país, a fim de combater esse preconceito tão insensato. Feito isso, o hábito do respeito será implantado dando firmeza positiva ao pensamento de Dostoiévski.