Preconceito Linguístico

Enviada em 09/01/2021

“A sociedade que esquece a arte de questionar não pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem”. A frase, do filósofo Zygmun Baumam, sugere o principal entrave para a superação dos problemas sociais: a passividade dos cidadãos. Diante disso, é imprescindível um olhar crítico acerca do preconceito linguístico em questão no Brasil, de modo a propor medidas concretas e eficazes. Com efeito, faz-se necessária a análise da origem da hierarquização linguística, bem como as consequências dessa problemática que precisa ser combatida.

Em primeiro plano, é válido ressaltar a hierarquização da linguagem surgida na colonização brasileira. Nesse sentido, no Brasil Colônia, com a chegada dos jesuítas e a superexploração dos indígenas, houve a imposição da língua portuguesa e extermínio de várias línguas nativas. Sob essa perspectiva, é nítido o desmazelo catequizador dos povos dominantes sobre os dominados. Assim, marcado pelo etnocentrismo, esse período foi um grande desastre para a herança cultural brasileira.

Por conseguinte, o preconceito linguístico traz grandes impactos para a sociedade. Nesse viés, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vítimas desse preconceito são, predominantemente, pessoas  de baixa renda ou de locais marginalizados. Conclui-se, contudo, que a exclusão sofrida por eles corrobora para a perpetuação de suas instáveis condições sociais, visto que não possuem vez  comparados às pessoas letradas e intelectuais no mercado de trabalho. Dessa forma, tal problemática está atrelada à desigualdade social e, consequentemente, ao deficitário desenvolvimento do país.

Urge, portanto, a necessidade de mudar esse cenário intolerante e desafiador. Cabe ao Ministério da Cultura e Educação criar projetos educacionais, nas escolas públicas e privadas, por meio de palestras e trabalhos, resgatando os valores e costumes de toda a nação brasileira, a fim de contemplar as diversidades linguísticas e sociais, e, então, erradicar essa ideologia de preconceitos. Ademais, é dever da esfera Legislativa e Judiciária do poder criar e fiscalizar leis que assegurem o direito de emprego às pessoas que são subjugadas por essa problemática, com intuito de aumentar as oportunidades que, para eles, são tão precárias. Feito isso, o Brasil poderá, gradativamente, contrapor os dados do IBGE e se tornar, de fato, um Estado Democrático de Direito, como prevê a Carta Magna.