Preconceito Linguístico
Enviada em 09/01/2021
Na novela “Êta Mundo Bom”, é retratada, pejorativamente, uma família do interior que possui uma linguagem coloquial com gírias diferentes da língua formal, de modo que a família é constantemente menosprezada por esse fato. Por isso, torna-se necessário o debate acerca do preconceito linguístico. Assim, pode-se dizer que a má influência midiática e a negligência das escolas são os principais responsáveis pelo quadro.
A priori, é imperioso destacar que a carga negativa e preconceituosa sobre a linguagem coloquial de diferentes regiões do país é fruto da má influência midiática. Isso porque há uma retratação negativa, por meio de filmes e novelas, do linguajar de diferentes indivíduos, como dito na novela “Êta Mundo Bom”. Segundo Pierre Bourdieu, filósofo: “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em instrumento de opressão”, no entanto, os grandes veículos de mídias forçam preconceito para alívio cômico, logo, disseminam uma opressão contra diferentes grupos sociais. Diante disso, é substancial a alteração desse quadro que denigre a imagem de pessoas com linguajar coloquial.
Outrossim, é imperativo pontuar que o ensino de uma única gramática, sem mostrar as outras variações da Língua Portuguesa deriva da negligência das escolas. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao observar a fala de Marcos Bagno, filólogo: “para construir uma sociedade tolerante com as diferenças é preciso exigir que as diversidades nos comportamentos linguísticos sejam respeitadas e valorizadas”, entretanto, não é perceptível a diversidade linguística, uma vez que as escolas ensinam somente a gramática formal. Assim, entende-se o porquê da perpetuação do imbróglio. Desse modo, faz-se mister a reformulação estrutural do ensino da base escolar.
Depreende-se, por conseguinte, a necessidade de se combater o preconceito linguístico. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação – ramo do Estado responsável pela formação básica escolar – inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a matéria de Variação Linguística do Brasil inteiro, de cunho obrigatório, em função da sua necessidade, para que a opressão contra diferentes maneiras de falar seja combatida. Ademais, a Secretaria de Cultura deve divulgar, por meio de campanhas instrucionais em grandes veículos de mídias, como canais de televisão, outras variações da Língua Portuguesa a fim de mostrar para toda a sociedade as diversidades linguísticas, sem que haja o preconceito para alívio cômico. Quiçá, tal hiato reverter-se-á, sem que ocorra a mesma situação em que se passa a novela “Êta Mundo Bom”.