Preconceito Linguístico
Enviada em 11/01/2021
A toria contratualista de Rousseu metaforiza a concessão das liberdades humanas ao Estado,o qual, em troca, seria responsável pela garantia dos direitos. Apesar de ideológico, tal acordo perde a reciprocidade quando milhares de falantes brasileiros têm seus direitos diminuídos ao sofrerem inúmeros ultrajes. Nessa égide, esse fator desencadeia-se, seja pelo repúdio das variações linguísticas ou superiorização da oralidade do sul e sudeste. Por esses motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa inercial problemática.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que o preconceito linguístico é uma relação de poder, a qual configura dominação sobre os demais. Nessa conjectura, os indivíduos subordinam a oralidade à norma culta evidenciada pela gramática, ultrajando e inferiorizando os sujeitos que apresentam variantes linguísticos. Parafraseando Pierre Bourdieu, a violência simbólica é um dano sem coação física, causando danos morais e psicológicos. Sob tal análise, percebe-se que tal preconceito é um meio de coercitividade e intimidação, buscando violar o psicológico dos sujeitos a ela subordinados.
Faz-se mister ressaltar, ainda, que o modo de falar do sul e sudeste é superiorizado e, por vezes, utilizado como medida para julgar as manifestações orais ao longo do país. Destarte, os jargões das outras regiões, sobretudo o nordeste, são ridicularizadas e, por sua vez, os cidadãos pertencentes a tais regiões são taxados de atrasados. Consoante Durkheim, a anomia social é quando há a sensação de não pertencimento a uma determinada sociedade. Contudo, o que se percebe é um meio social que impõe normas e valores e, indiretamente, influencia os indivíduos a não querer ser parte intrínseca a ela. Logo, medidas devem ser inseridas com veemência para mudar essa realidade.
Diante do pensamento de Oscar Wilde, a não aceitação da realidade é o primeiro passo para a evolução de uma nação. Portanto, urge uma parceria entre o Poder Público e as escolas, inserindo as discussões e análises acerca do preconceito linguístico em currículo escolar, por meio de debates e palestras, as quais demonstrem a importância das variações da língua no processo de construção da identidade nacional, contando com pais e alunos, com o objetivo de incentivar o diálogo em casa e promover a dissolução do preconceito linguístico e promover uma sociedade mais respeitosa. Assim, a teoria contratualista pensada por Rousseau atingirá a reciprocidade.