Preconceito Linguístico

Enviada em 12/01/2021

Segundo o educador Paulo Freire, “temos mais o que aprender com as diferenças do que com as semelhanças”. Nessa perspectiva, o preconceito linguístico é uma maneira de segregar parte da população basedo nas características da sua fala. Dessa forma, essa prática ganha forma na supervalorização da norma padrão, que é pouco acessível, e causa ódio às variantes linguísticas, o que desvaloriza séculos de história e cultura.

Em primeiro plano, a prática do preconceito linguístico acarreta um enaltecimento da língua portuguesa culta. Entretanto, como estudado pelo Instituto Brasileiro de Geografia, há 1,2 milhões de analfabetos no Brasil, que não tiveram acesso à escola ou necessitaram abandoná-la, e entre a maioria nesse número estão os nordestinos. Desse modo, fica claro observar que valorizar a norma padrão do português brasileiro como única correta para se comunicar é invalidar as vozes de milhões de nativos .Logo, esse grupo já fragilizado é colocado ainda mais à margem da sociedade, e assim perpetua-se a pobreza e a miséria como consequência da segregação educacional.

Em segunda análise, a exclusão que ocorre com a população nordestina é ridicularizada pela mídia, o que intensifica o preconceito acerca do seu dialeto característico. Para fim de exemplo, o programa “Zorra Total” em uma de suas edições apresentou uma personagem com nordestina que, para traçar sua personalidade, utilizou-se o sotaque e atributos ofensivos como “barraqueiro”, “mal vestido” entre outros. Nesse aspecto é possível perceber como a imagem do brasileiro do nordeste é atrelada a sua fala e a traços nocivos em forma de “humor”. Consequentemente, a população restante do Brasil pode aprender que seus costues são melhores, o que origina preconceito social.

Por fim, o preconceito linguístico no Brasil é incentivado pela mídia que causa impressão da existência de um padrão dialético. Para solucionar esse problema, cabe ao Ministério da Educação adicionar à disciplina de Língua Portuguesa repertórios advindos de várias regiões diferentes do Brasil, como filmes, textos e livros, a fim de naturalizar o dialeto de cada uma. Além disso, cabe à rede televisiva mudar seu posicionamento em relação ao humor produzido, para que nenhum personagem seja ofensivo por carregar caracterísiticas culturais diversas do brasileiro, ao invés disso os programas devem aprensentar a diversidade do Português como algo positivo e comum, para que os espectadores se acostumem e desconstruam preconceitos. Portanto, somente assim o preconceito linguístico não será mais um problema no Brasil.