Preconceito Linguístico
Enviada em 14/01/2021
A língua é um dos principais instrumentos para a sustentação da vida em sociedade, já que é responsável pela promoção da comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto, ela também pode ser utilizada de maneira negativa, sendo uma ferramenta de segregação social, haja vista os constantes casos de preconceito linguístico que ocorrem na atual conjuntura brasileira. Assim, é fulcral entender que as raízes da mazela estão ligadas a persistência da desigualdade e nas falhas no sistema educacional do País.
Mormente, com base na premissa do historiador Caio Prado, as relações sociais presentes no campo brasileiro remetem a um passado histórico de desigualdade que persiste na contemporaneidade. Nessa óptica, é notória essa disparidade ao discorrer da estereotipação que se estende a quem possui baixa escolaridade devido à crença de que a normal culta é superior às demais variações linguísticas, o que gera, assim, um forte viés elitista, de maneira que os indivíduos que não a dominam estão sujeitos a estigmatização. Dessa maneira, torna-se primordial a adoção de meios que minguem a monopolização da norma culta sob égide inquestionável.
Outrossim, é válido salientar a carência de uma educação multicultural em instituições de ensino, o que promove o processo de letargia social. Nesse sentido, em coadunação com o sociólogo francês Émile Durkheim, a educação tem por objetivo suscitar e desenvolver o senso moral e crítico que são requeridos pela sociedade política, dessa forma, tal progresso intelectual sobre a variedade cultural e linguística do Brasil refletiria em um aumento da valorização nacional e na redução do preconceito aos usos variantes da língua. Desse modo, é notório o caráter modificador da educação para a dissolução dessa conjuntura.
Destarte, faz-se mister a tomada de medidas que evitem maiores danos a liberdade de fala dos brasileiros. Logo, o Governo, por intermédio dos meios midiáticos, devem fomentar debates televisionados com linguistas e gramáticos a respeito do uso equivocado do purismo linguístico, junto com a realização de um projeto de ensino de português básico e gratuito a indivíduos carentes, a fim de haja redução do estigma e da desigualdade existente. Ademais, com o intuito de quebrar padrões e ampliar o conhecimento sociocultural, por meio da modificação dos conteúdos escolares nacionais, o Ministério da Educação deve incentivar o debate acerca das variantes linguísticas e culturais nas aulas administradas por professores de português para tenha uma maior aproximação da concepção difundida por Durkheim.