Preconceito Linguístico

Enviada em 14/01/2021

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma ilha imaginária na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que foi idealizado por More, uma vez que o preconceito linguístico destaca-se como um importante desafio a ser enfrentado pela sociedade. Esse cenário tem sua origem na falta de conhecimento e possui impactos negativos. Logo, convém a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigá-la.

Vale ressaltar, a princípio, a carência de políticas educativas que ampliem o conhecimento sobre as variedades linguísticas. Nesse sentido, o preconceito linguístico é motivado pela intolerância e ignorância das diferenças regionais, sociais e culturais existentes em um idioma. Sob essa perspectiva, o educador Paulo Freire destaca a educação como elemento fundamental para mudanças sociais e, por isso, defendia um ensino capaz de estimular reflexões críticas que levem a uma maior compreensão da sociedade. No entanto, situações atuais vão de encontro a esse ideal na medida em que muitos jovens crescem sem conhecer e valorizar a diversidade da língua portuguesa brasileira. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Além disso, há preocupantes problemáticas advindas dessa conjuntura. Em visto disso, em alguns casos, o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como instrumento de discriminação e superioridade, o que expõe um preconceito, visto que ela se configura apenas como uma das diversas formas de se expressar. Nesse contexto, segundo o sociólogo Émile Durkhein, a sociedade deveria funcionar de maneira análoga a um organismo biológico, no qual as partes interagem harmonicamente entre si. Entretanto, nota-se que o país ainda está distante dessa realidade, visto que algumas pessoas ainda se utilizam do conhecimento da norma padrão para depreciar e excluir socialmente quem fale de maneira diferente. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.

Portanto, providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas que, por meio de oficinas pedagógicas, discussões engajadas e palestras, possua como finalidade trazer mais lucidez sobre a importância de se valorizar e respeitar as variedades linguísticas presentes no país. Esses eventos devem contemplar desde a educação básica até o ensino superior e contar com a participação de profissionais especialistas no assunto. Assim, essas medidas estarão em conformidade com o pensamento de Paulo Freire, que procura transformar a realidade brasileira por meio da educação.