Preconceito Linguístico
Enviada em 16/01/2021
Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, ‘‘Não há saber mais ou saber menos, há saberes diferentes’’. Todavia a sociedade brasileira não segue tais ideais de respeito às variações do conhecimento, uma vez que o preconceito linguístico é fortemente presente nas relações sociais do país, criando uma hierarquia da norma culta e de certos sotaques regionais. Portanto, é necessário refletir os efeitos dessa falsa dominação linguística, seja a falta de pluralidade linguística na mídia, seja a intolerância no ambiente escolar. A princípio, torna-se imperativo debater a representação midiática das diversas maneiras de se expressar por alguns personagens. Nesse contexto, na série de quadrinhos ‘‘Turma da Mônica’’, o personagem Chico Bento representa o suposto modo de fala dos habitantes da zona rural, com predomínio da linguagem caipira e de desvios gramaticais, tornando-se alvo de piadas e de discriminação. Neste ínterim, a imagem simbolizada pelo Chico Bento é mais um exemplo dos estereótipos formados pela mídia, haja vista que várias formas de entretenimento, como novelas e filmes, retratam padrões de linguagem deturpados, a saber que sotaques e gírias são indevidamente utilizados. Logo, a diversidade cultural e linguística deve ser estudada e respeitada pela mídia e pelos veículos de comunicação, uma vez que contribuem negativamente desde as relações pessoais ao setor de trabalho. Ademais, a falta de assistência escolar em casos de preconceito linguístico é extremamente prejudicial para a conscientização para a conscientização dos jovens acerca da pluralidade e da transformação linguística. Sob essa perspectiva, a filósofa alemã Hannah Arendt afirmava que a escola é a instituição que se interpõe entre o lar e o mundo, preparando para o convívio social. Entretanto, as escolas brasileiras não estão desempenhando adequadamente essa função, visto que a variedade da língua portuguesa é negligenciada. Assim, o ensino nacional deve valorizar aspectos regionais, etários e sociais da oralidade, harmonizando as relações linguísticas da próxima geração. Sendo assim, cabe à mídia televisiva, representada por grandes emissoras como SBT e Rede Globo, naturalizar a pluralidade linguística brasileira, por meio de personagens retratados de forma contextualizada, respeitando o modo de falar do grupo apresentado, a fim de reduzir os estereótipos de perfil linguístico. Além disso, as escolas do país devem ensinar as diversas formas de comunicação, por intermédio de aulas que destaquem a constante variação da língua, com o fito de realçar os múltiplos saberes de Paulo Freire.