Preconceito Linguístico
Enviada em 04/02/2021
A obra “Macunaíma”, de Mário de Andrade, apresenta diversos aspectos da língua brasileira cotidiana e regional, na medida em que visa elaborar uma identidade genuinamente nacional e aproximar as regiões do Brasil. Distante da ficção, o preconceito linguístico, pontencializado pela falta de informação, segrega aqueles que não conseguem se adequar aos padrões impostos pelo pensamento etnocêntrico de determinados populares. Urge, portanto, a priordialidade de pormenorizar as causas e consequências desse estigma.
É importante pontuar, de início, uma análise histórico-literária a respeito da intolerância à fala popular. Acerca disso, o parnasianismo, no final do século XX, configura-se pela obediência aos padrões clássicos, à metrica e à escolha de palavras; rejeitando tudo o que transgredisse a norma culta. Semelhante a esse movimento, muitos populares, tomados pelo sentimento de superiodade intectual ou regional, inferiorizam a forma de falar de sujeitos analfabetos ou de outros locais, sobretudo os menos desenvolvidos economicamente. Dos movimentos migratórios de 1930 até os dias hodiernos, a título de exemplo, o nordestino, por possuir uma elocução diferente, sofre preconceito linguístico ao chegar na região sudeste em busca de emprego. Tal problemática representa um grave retrocesso.
Outrossim, é preciso destacar que a exígua informação, no tocante ao respeito as variações linguísticas, reforça o etnocentrismo e a segregação. Sob esse prisma, Habermas, filósofo contemporâneo, preconiza que o debate sobre determinada mazela social caracteriza-se como forma de combate. Nessa perspectiva, é notório que pouco se conversa sobre o preconceito linguístico, haja vista que esse tipo de preconceito intensifica ainda mais as desigualdades sociais, pois a língua está ligada à estrutura e os valores da sociedade. Consequentemente, os falantes da norma culta; possuindo maior poder aquisivo e escolaridade, colocam sua forma de falar em destaque; enquanto os menos favorecidos são excluídos da sociabilidade.
Destarte, é necessário medidas para combater esse imbróglio. Primeiramente, o governo federal, por meio de uma parceria com a mídia, poderia criar propagandas em sites, aplicativos e canais de TV; visando informar a respeito do preconceito línguistico e suas consequências, a fim de que respeitem as diferenças entre os vocábulos dos falantes. Vale, ainda, que o Ministério da Educação, com o objetivo de ensinar os jovens, insira nos livros de língua portuguesa, dentro do conteúdo de variações linguísticas, textos que afirmem que a sociedade possui diversas formas de dialogar, logo, é indispensável a aceitação de todas elas no processo de sociabilização. Assim, “Macunaíma” representará a realidade de um Brasil regionalmente coeso e pouco segregado.