Preconceito Linguístico

Enviada em 18/02/2021

O livro de Marcos Bagno “Preconceito Linguístico: o que é como se faz” retrata um assunto pouco discutido, mas muito importante: o preconceito linguístico. Essa obra demonstra como essa discriminação gera uma marginalização e exclusão de pessoas cujas variedades linguísticas, não são socialmente prestigiadas. Apesar de muitas razões figurarem como causas desse preconceito, cabe destacar o uso que as elites fazem da língua para manutenção das estruturas de dominação e a falta de reconhecimento nas escolas da disversidade linguística.

Segundo Bagno, a língua é utilizada por aqueles indivíduos que controlam o poder econômico, cultural e político, como forma de opressão a aqueles que não fazem parte desse núcleo de dominação. Afinal, o preconceito linguístico é reflexo de um preconceito social anterior, que desprestigia certas variedades em favor de uma: a que recorrentemente consideramos como tida pela elite. Assim, ocorre a garantia da sustentação do poder das classes dominantes em detrimento da elevação das classes menos favorecidas. Por consequência, ocorre um crescimento da desigualdade social, diminuindo a chance dos indivíduos de classe mais baixa de um dia alcançarem melhores condições de vida.

Em segundo lugar, cabe pontuar que grande parte das vezes as escolas nao reconhecem essa variedade e, com isso, empregam a norma padrão rigidamente sem considerar a região ou classe social dos alunos. A partir disso, impõe limites à língua causando medo da expressão livre. Além disso, esse preconceito não é frequentemente abordado pelos professores, e essa falta de conhecimento gera um descumprimento dos direitos humanos como igualdade e liberdade de expressão. Com isso, vale refletir sobre a frase da relatora especial da ONU, Katarina Tomasevski “A educação é a chave para abrir outros direitos humanos”.

Em suma, visando a diminuição da ocorrência dessa problemática e da desigualdade social, o poder Legislativo deve criar uma lei específica para esse preconceito afim de penalizar sua ocorrência. Ademais, dentro das escolas devem ser promovidas palestras com apoio do Ministério da Educação demonstrando a existência dessa variedade com a intenção de normalizá-la gerando respeito. Tais ações visam a construção de uma sociedade melhor que respeita a diversidade e os Direitos Humanos.