Preconceito Linguístico
Enviada em 04/03/2021
O preconceito linguístico persiste na sociedade brasileira desde o período colonial. Durante o governo pombalino, a “língua geral” - combinação entre português e o tupi, elaborado pelos jesuítas - foi proibida, oficializando o uso da língua portuguesa no Brasil. A continuidade dessa discriminação ocorre devido às questões sociais, uma vez que a língua é usada como instrumento de poder e pela reafirmação desse preconceito pelo meio midiático e cultural.
Em primeiro lugar, deve-se considerar que a língua sempre foi utilizada como um instrumento de dominação sociocultural. Apesar do Brasil possuir uma matriz heterogênea - linguística, africana e europeia - a língua portuguesa foi imposta pelos colonizadores como forma oficial de comunicação, desconsiderando as variações linguísticas existentes entre outros grupos sociais. O uso da língua como uma ferramenta para a imposição da autoridade de classes superiores aos menos favorecidos, é comprovado no livro Microfísica do Poder, pois Michel Foucault define a língua como um instrumento de poder e dominação.
Além disso, esse preconceito linguístico que gera inclusão social é reafirmado pelos meios culturais como motivo de sátira. Fato comprovado nas mídias televisivas, que utilizam a linguagem que não segue a norma padrão da língua portuguesa foi considerada, durante alguns períodos, como a única maneira de vincular textos culturais, como é o caso do movimento literário parnasianismo, que defendia o uso exclusivo da linguagem acadêmica.
Torna-se evidente, que a persistência do preconceito linguístico no Brasil está relacionado à questão social. Por esse motivo, cabe às escolas promover a inserção do conhecimento das variações linguísticas, através de aulas e debates, com o objetivo de combater o preconceito linguístico. Ademais, a mídia deve cancelar projetos que referirem esse preconceito, priorizando iniciativas que valorizem as diversas formas de comunicação no Brasil.